A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 12/09/2019
No contexto literário, ‘‘O Mundo de Sofia", romance de Jostein Gaarden, convida o leitor a trilhar toda a história da Filosofia Ocidental. Nele, Sofia desperta a indagação e ainda a criticidade por meio da leitura. Nesse sentido, ao contrário do livro, a coletividade brasileira caminha na contramão de uma mentalidade culta, em face de demandas seculares que inibem a capacidade transformadora do acesso à cultura. Assim, faz-se necessário desconstruir tal adversidade a fim de efetivar a democratização desse patrimônio na atualidade.
Em primeiro lugar, essa condição recai sobre o papel governamental. De acordo com a Constituição Federal de 88, o Estado é responsável por garantir o pleno exercício dos direitos culturais e acesso aos mesmos. Nessa perspectiva, a Lei de Incentivo à Cultura contribui para a criação de inúmeros projetos. Entretanto, essa iniciativa não abrange todas as esferas de forma igualitária. Tal fato se valida, por exemplo, na pesquisa realizada pelo IBGE, a qual destacou que a maioria dos indivíduos pouco escolarizados não tem apreço pela área ou não tem conhecimento dos seus direitos sobre o tema. Dessa maneira, artistas e organizadores ganham espaço para realizar suas ações, mas o cidadão comum se distancia dessa realidade.
Ademais, outro obstáculo se dá no âmbito econômico. Conforme a linha de pensamento da Escola de Frankfurt , para se adequar ao sistema capitalista, o mundo artístico teve que se adaptar à produção em massa, ao tornar-se fonte de lucro. Consequentemente, o alto custo para frequentar museus, teatros, cinema e até mesmo bibliotecas tende a afastar o indivíduo desses recusros . Esse quadro é comprovado com os dados do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), os quais demonstraram que um terço dos brasileiros frequentam apenas eventos ou atividades gratuitas. Dessa forma, além de desvalorizar manifestações artísticas que não seguem a linha lucrativa, tal comercialização impossibilita a universalização do acesso aos bens materiais e imateriais, o que demanda maiores ousadias.
Infere-se, portanto, que o acesso à cultura no Brasil não é democrático. Logo, é necessário, além das leis e projetos vigentes, a criação de espaços gratuitos, por intermédio da Secretaria Especial da Cultura, como o Centro Cultural São Paulo, que contém programação cultural gratuita além da venda de produtos com preços acessíveis ( cinema, dança, literatura, música e teatro ), com a finalidade de atrair a população, em especial de baixa renda. É fundamental, ainda, a participação das escolas como meio formador de opinião, ao conscientizar o indivíduo sobre os seus direitos , bem como promover projetos culturais, mediante oficinas e seminários, com o objetivo de consolidar a democratização da cultura em todas as esferas sociais.