A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 21/09/2019

Consoante ao filósofo chinês Confúcio, a cultura está acima da diferença da condição social. Essa visão, embora correta, não é efetivada no hodierno cenário global, sobretudo no Brasil, posto que o acesso à cultura ainda é restrito à alta sociedade. Isso ocorre ora em função da categorização dos entretenimentos, ora pela falta de investimento do governo em projetos de democratização cultural. Assim, há de ser analisado tais fatores, a fim de que se possa liquidar esse problema de cunho social, que assombra a população do século XXI.

Sob esse viés, destaca-se a divisão categórica, que torna os entretenimentos culturais elitizados, como um empecilho à consolidação de uma solução. Na obra “modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira especifica na realidade brasileira, no que tange ao acesso restrito à população de classe alta em diversos eventos culturais. Em virtude disso, há como consequência, uma individualização cultural, pois, em forma de escalonamento dos valores dos ingressos, cria-se uma barreira aos mais pobres, dificultando a relação entre classes diferentes.

Outrossim, pontua-se a questão governamental, como um fator limitante para a popularização do acesso à cultura. Conforme o filósofo Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Contrariamente, no Brasil, os investimentos e projetos de leis que garantam o alcance de toda a população aos meios culturais, não encontram espaço e respaldo político necessário. Esse panorama se evidencia, por exemplo, quando analisada a frequência de brasileiros que não têm nenhuma oportunidade de prestigiar eventos para esse fim. Segundo o portal de notícias G1, 37% dos brasileiros não frequentam nenhuma atividade cultural. Isso por que, muitos dos eventos além de não ter preços acessivos, como já mencionado, não são divulgados aos mais pobres.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse impasse. É fundamental, em vista disso, que o Ministério da Cidadania em parceria com o Ministério da Educação proporcionem a criação de leis, a serem aprovadas pelo Senado, que garantam em quaisquer evento cultural a destinação de 20% de seus ingressos às famílias de baixa renda -isso se dará, mediante a inscrição pelas famílias interessadas e que comprovem não possuir condições de arcar com os custos-. Aliado a isso, faz necessário a criação de oficinas culturais, a serem desenvolvidas nos colégios estaduais. Esses eventos podem ser realizados por meio de atividades práticas, como  leitura, dramatização, dinâmica e jogos, de modo a demostrar alguns tipos de atividades culturais existente. Talvez assim, não existirá mais barreiras de condição social, como citado por Confúcio.