A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 30/09/2019

Mary Migdaly, filosofa britânica, afirmava que a arte era uma forma de vida. De acordo com esse pensamento, é possível inferir que a cultura e tudo que a envolve é de extrema importância para a formação do ser humano como indivíduo e participante da sociedade. Na atual conjuntura brasileira, no entanto, isso não é posto em prática, visto que o acesso ao entretenimento, a livros e bibliotecas e até mesmo à internet, é desigual e excludente, o que revela a não democratização do acesso à cultura no Brasil.

Em primeiro plano, é preponderante discutir acerca do acesso ao entretenimento. Segundo o site Agência Brasil, o percentual de municípios com museus e bibliotecas caiu em quatro anos. Além disso, conforme o IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), setenta por cento da população nunca foi a museus ou centros culturais. De acordo com esses dados, infere-se, portanto, que a população brasileira é carente do conhecimento de sua própria história. Ademais, o Estado negligencia esse direito, que é previsto na Constituição vigente.

Em segundo plano, cabe avaliar o nível de leitura dos brasileiros. Segundo o Instituto Pró-Livro, em 2016, o brasileiro leu apenas em média 2,43 livros por ano. Isso se deve não apenas à falta de recursos para obter um livro, como também à falta de bibliotecas no Brasil. Outrossim, o acesso à internet ainda é muito desigual. Em um país no qual a fome é presente em muitos lares, não se espera que haja condições de comprar um computador, muito menos se tenha recursos para obter internet, o que indica a falta do acesso à cultura por grande parte dos brasileiros.

Assim sendo, é vital que medidas sejam tomadas para amenizar a problemática. O governo federal, juntamente com o Ministério da Cultura, deve organizar a construção de bibliotecas pelo país, por meio de verbas destinadas ao ramo da cultura, a fim de promover a igualdade no acesso a livros. Além disso, o Poder Legislativo deve criar leis que obriguem os estados a proporcionar a ida a museus, por meio de campanhas publicitárias que influenciem os indivíduos. Consoante ao acesso à internet, devem ser criadas redes as quais propiciem o ingresso a locais públicos nos quais seja possível conectar-se à web. Dessa maneira, gradativamente, a democratização do acesso à arte e ao entretenimento será alcançado.