A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 01/10/2019

Este país é democrático ou não? Eis a questão.

No Brasil, em conjunto com a estratificação social, há o estereótipo de que as classes menos abastadas possuem menos cultura. Tal pensamento, consideravelmente retrógrado, é reproduzido através das massas, criando uma barreira entre o cidadão humilde e o acesso ao conhecimento cultural, e por conseguinte, corroborando um cenário onde a caricatura preconceituosa citada se realiza. Isto ocorre devido, principalmente, ao fato do governo não proporcionar meios de reverter este ciclo, já que ele não cria mecanismos suficientes.

Pierre Bourdieu, importante sociólogo, descreve a disparidade social de maneira peculiar, onde as diferenças de classes não se restringem às financeiras, mas também estendem-se ao campo das práticas do indivíduo. Assim, o pensador concebe o conceito de “capital cultural”, que se refere à bagagem de hábitos considerados cultos em uma sociedade. Apesar do fenômeno poder ser um mecanismo de ascensão social, na realidade, pode-se ver ele aumentar a distância que o cidadão mais pobre tem para o gozo de seus direitos. Isto porque segmentos mais abastados possuem um maior acesso à cultura no Brasil, pois muito do entretenimento consumido por estes indivíduos está além da capacidade financeira da maioria do povo.

A Constituição resguarda a liberdade de expressão, importante elemento da Democracia, porém, enquanto a população viver este contexto, onde sua intelectualidade está atrelada ao seu capital financeiro, ela não gozará este direito essencial. Como é dever do Estado possibilitar que o cidadão seja incluso na sociedade, se faz necessário que ele impeça que a renda deste o afaste dos hábitos culturais.

Ante o exposto, faz-se notar a necessidade do Poder Executivo prover acesso à cultura aos indivíduos menos favorecidos. Portanto, a Secretaria Especial da Cultura, do Ministério da Cidadania, deve criar o projeto “Livros na Periferia”, que por meio de verbas governamentais, distribua livros mensais à todo estudante de Ensino Médio, Fundamental ou EJA, ingressado no projeto e com renda per capita da família de até 4 salários mínimos. O programa também deve usar ocasionais doações do setor privado para promover eventos culturais gratuitos na periferia, como teatros, shows musicais, entre outros. Tal atitude governamental contribuiria para a democratização do entretenimento cultural, bem como forneceria ao cidadão atividades de lazer construtivas. Afinal, em um país democrático, é injusto que a renda de uma pessoa afaste-a de “Hamlet”.