A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 22/10/2019
Para o sociólogo francés, Pierre Bourdieu, o conceito de capital cultural serve para indicar todas as maneiras em que a cultura reflete ou atua sobre as condições de vida dos indivíduos. Essa concepção exposta pelo autor, retrata a atual realidade brasileira, no que diz respeito a popularização da cultura nacional. Considerando que é habitual o desconhecimento da relevância da cultura em grupos minoritários.
Em princípio, cabe analisar o obscurantismo relacionado a cultura, pela qual o país não costuma se apropriar. De tal forma que em 2013, a pesquisa realizada pelo Ibope, revelou que 42% da população não é consumidora assídua da cultura local, ou seja, não é usuário de livrarias, museus e festas regionais. Dessa forma, evidencia-se a necessidade de valorização e popularização de espaços culturais, de modo, a explorar a diversidade do país.
Ademais, cabe analisar o perfil dos indivíduos que consomem atividades artístico-culturais do país. Ainda segundo a pesquisa do Ibope, cerca de 10% da população se considera praticante cultural, sendo ela, pertencente ao grupo social denominado classe A. Posto isto, é notório que pessoas com boas condições sociais tendem a ter mais incentivo da família e escola, para usufruir do universo artístico e cultural, isto é, desde a infância esses indivíduos convivem e gozam dos benefícios culturais.
Infere-se, portanto, que é importante o incentivo a difusão das manifestações culturais de forma uniforme na sociedade. Para que ocorra a disseminação do conhecimento cultural nas camadas sociais menos favorecidas, é necessário que políticas afirmativas sejam implantadas, como por exemplo, na criação de “cotas” para produtos culturais nacionais - em espaços como museus, teatros, entre outros - por meio do Poder Legislativo, com o fito de reduzir a desigualdade e promover essa oportunidade à todos. Quem sabe, assim, o conceito de Bourdieu seja contrariado na prática.