A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 20/10/2019

A cultura, segundo estudos antropológicos, se manisfesta de diferentes formas, como na música, nos livros, nas danças, nas pinturas e, também, nos costumes, de forma que torna-se algo anterior ao homem, ou seja, todo individuo é possuidor de cultura. Entretanto, o acesso à elas pela camada mais baixa e interiorizada da sociedade representa um desafio à ser enfrentado em território brasileiro. Nesse sentido, convém analisar as causas, consequências e possíveis soluções para esse problema.

A priori, a falta de incentivo à cultura para jovens, no mundo atual, é um fator determinante para o descaso na democratização do acesso à bibliotecas, aos museus, aos teatros e aos festivais musicais. É importante frisar, desse modo, que o público jovem é, demasiadamente, alvo de incentivo à tecnologia, tal que desvalorizam a cultura em detrimento do mundo virtual, que transfere um conhecimento e entretenimento supérfluo e efêmero. Para isso, cabe ressaltar o conceito de indústria cultural, definido por Theodor Adorno e Marx Horkeimer. Para esses estudiosos, a cultura se tornou objeto com valor mercadológico na sociedade contemporânea, de modo que seu acesso seja reservado exclusivamente pela classe mais alta, por conseguinte, a população jovem opta pelo acesso único e exclusivo da internet, visto que seu alcance é facilitado, tanto economicamente quanto estruturalmente.

A posteriori, outro problema acerca da democratização da cultura em território brasileiro é o descaso econômico, posto que, desde dos primórdios das civilizações, o acesso à cultura representa um benefício de classe. À vista disso, ressalta-se o período Joanino da história do Brasil, em que a corte portuguesa, fugida de Napoleão, refugia-se na colônia e trazem consigo bibliotecas, teatros e universidades. Entretanto, infelizmente, o acesso foi restrito para a família real e os portugueses vindos da Europa. Tal contexto dialoga diretamente com a atual situação brasileira, pois, o encarecimento dos preços para o acesso aos livros, aos teatros, aos cinemas e às bibliotecas impossibilita a participação da classe mais baixa da sociedade. Isso gera, portanto, uma segregação social cultural.

Logo, é sabido que os principais aspectos geradores da desigualdade do acesso à cultura no Brasil são a falta de incentivo ao jovem em participar como também, o encarecimento desse acesso, gerado pela sociedade de indústria cultural. Desse modo, é preciso que o Ministério da Cultura junto ao Ministério da Educação, por meio da Lei Rouanet, priorize o acesso do jovem aos meios culturais, como teatros, festivais, bibliotecas. Para isso, será necessários investimentos para criar momentos culturais filantrópicos, com a adesão de toda a população, além de fornecer bolsas exclusivas para o acesso à cultura pelos jovens, no Brasil. Somente assim, tornar-se-á igualitária e justa a participação da sociedade na cultura.