A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 08/10/2019
A mudança da Corte portuguesa para o Brasil trouxe inegável progresso para a cultura: o advento da imprensa, primeiras editoras, academias artísticas e científicas, viagens de estudos, fundação das Facudades de Direito de São Paulo e Olinda (fins do Primeiro Reinado - 1827). Entretanto, nota-se que essa realidade não foi efetivada no país, uma vez que se observa a não democratização do acesso à cultura no Brasil hodiernamente. Desse modo, torna-se premente analisar os principais impactos dessa problemática: a sabotagem intelectual e a perda da identidade histórico-cultural.
Em primeira análise, é lícito postular que a cultura é um bem de valor social, o qual é responsável por formar a sociedade e modular a cosmovisão antropológica de um povo. Nesse sentido, os valores em que a cultura se fundamenta são transmitidos de geração em geração, o que exerce poder sobre o indivíduo e a maneira como ele lida com o meio em que vive. É factual, portanto, que a falta de acesso à cultura constitui ameaça ao conhecimento - seja ele científico, religioso, econômico ou histórico. Assim, fica clara a potencial relação negativa quando não se investe em escolas, museus, bibliotecas, por exemplo, e a autonomia do pensamento crítico.
Paralelo a isso, é preciso compreender que a falta da democratização cultural resulta em um fenômeno de perda identitária de uma sociedade. Sob a ótica do filósofo humanista George Santayna “aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenado a repeti-lo”. Conforme o autor, é preciso conhecer a História, a cultura, as relações passadas para aprender com elas e, mais do que isso, reconhecer a formação sociocultural de determinado povo para que haja a constituição da identidade social. Evidencia-se, dessa forma, a importância de se promover o contato à cutura e suas raízes.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Dessarte, as instituições escolares - responsáveis por estimular o pensamento crítico na população - devem buscar fortalecer o estímulo cultural nas crianças e jovens. Isso pode ser feito por meio de palestras, aulas e distribuição de materiais didáticos sobre a filosofia, sociologia, história e artes visando aprimorar o acesso ao conhecimento. Em paralelo, o Governo, capaz de promover o aprimoramento cultural, precisa dispor de mais bibliotecas, museus e teatros. Tal ação é viável por intermédio da redistribuição de recursos para as prefeituras com o intuito de construírem tais patrimônios a fim de disponibilizar o acesso a um número maior de cidadãos. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo não democratização da cultura na sociedade brasileira.