A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 01/11/2019
No livro “A menina que roubava livros”, de Markus Zusak,a protagonista Liesel contornava a censura da Alemanha nazista e furtava materiais literários para conhecer novos universos. Analogamente, na realidade brasileira apesar de não haver impedimento quanto aos meios culturais existem entraves que dificultam o conhecimento desses lugares pela maior parte social. Dessa forma,a problemática está ligada à desigualdade de acesso e a negligência governamental.
Em primeira análise, é notório como as disparidades sociais influenciam no espaço cultural.Isto é,ainda há uma composição renascentista na contemporaneidade, em que obras de arte,por exemplo, são mais conhecidas pela elite,enquanto a massa popular fica à mercê desse privilégio.Tal situação aprofunda ainda mais o quadro de exclusão na sociedade brasileira. Como consequência,o indivíduo de baixo poder aquisitivo não tem oportunidades de ir ao teatro e conhecer o trabalho de Shakespeare ou ver no museu as obras de Van Gogh. Basicamente,o acesso a esses lugares influencia na reflexão,já que ao conhecer além do próprio universo ocorre a ressignificação do espaço. Em consonância com isso,o sociólogo Herbert José de Souza afirmou como a cultura é o meio mais eficiente para mudar um país. Com isso,alterar essa discrepância é fundamental.
Vale pontuar também como as ações governamentais são insuficientes para garantir a acessibilidade da população. Nesse sentido,segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2006 a 2014, houve aumento de apenas 12% no no número de centros culturais nos municípios. Essa porcentagem revela como ainda é precário o investimento em áreas que propiciam o desenvolvimento do cidadão,tanto socialmente quanto emocionalmente. Nessa perspectiva,os ideais da Constituição de 1988 são corrompidos,uma vez que o artigo 3 afirma sobre o dever do Estado em diminuir desigualdades. Dessa maneira, a presença da Lei Rouanet - incentivo aos artistas - e vales - cultura sem políticas mais ativas que alcance a plenitude social evidencia os embargos de uma democracia ampla.
É evidente,portanto, como a parte cultural brasileira apresenta sérias disparidades. Assim, cabe ao Ministério da Cultura desenvolver programas de construção de teatros,bibliotecas e museus em municípios com precariedades desses recursos,por meio do uso de dados do IBGE que exponham as localidades do território brasileiro,sendo fundamental parceria com os empresários locais de modo que os ingressos tenham preços simbólicos,com o objetivo de permitir o aumento de cidadãos com possibilidade de conhecer mecanismos que ultrapassem a realidade social e confirmem a construção de novos valores.Afinal,as medidas evitam que mais Liesels roubem para conhecer mundos diferentes.