A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 04/11/2019

Sísifo brasiliensis

Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma enorme pedra morro acima eternamente. Assim, todos os dias, ele atingia o topo do rochedo, contudo, era vencido pela exaustão, então, a pedra retornava à base. Hodiernamente, esse mito assemelha-se à luta cotidiana dos cidadãos brasileiros, que buscam ultrapassar as barreiras às quais os separam do acesso ao direito de entretenimento como base para sua formação sócio-política, uma vez que, o cinema perpetua as interações humanas. Nesse contexto, convém analisar o papel fundamental do Estado e sua postura perante a situação.

A princípio, a Constituição Cidadã de 1988, assegura o bem-estar como direito de todos e dever do Estado, sendo o compromisso deste, promover o acesso igualitário e universal às ações e aos serviços para sua proteção, todavia, o Poder Executivo não efetiva esse direito. Nesse sentido, vale ressaltar a lógica de Aristóteles no livro “Ética a Nicômico”, no qual disserta que a política serve para garantir a felicidade dos cidadãos. Logo, verifica-se que esse conceito se encontra deturpado no Brasil, à medida que urge proporcionar cinemas às mazelas sociais, como as periferias urbanas, pois, esses locais exibem uma precária presença de filmes, denominados uma das principais ferramentas usadas para transparecer as condutas humanas e refletir a história.

No tocante às consequências dessa problemática, que se torna cada vez mais desafiadora, adentra-se no prejuízo inerente à essa parte da população. Sob essa perspectiva, afere-se a esses indivíduos a falta de informações para sua ciência histórica e cultural, isso porque os filmes perpassam aprendizados para além do lazer, corroboram a formação de valores. Por exemplo, no filme “Carrie, a Estranha”, de 1976, o cenário cinematográfico expôs a violência da prática do bullying. Assim, transmitiu ao público esses atos e mostrou a relevância de abordar filmes no intuito de espraiar reflexões na sociedade.

Ante o exposto, debruçar-se sobre esse impasse é indubitável. Portanto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) inserir, por meio de verbas governamentais, salas de cinema e telões nas quadras de comunidades carentes, com o fito de proporcionar conhecimento por intermédio de filmes e documentários para as pessoas ali inseridas, a fim de retirar esse direito do papel. Desse modo, a realidade distanciar-se-á do mito grego e os Sísifos brasileiros se fortalecerão para vencer o desafio de Zeus, sendo coadjuvantes na melhoria dos âmbitos sociais.