A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 04/11/2019

No livro “A República” o filósofo Platão descreve uma sociedade perfeita, na qual há harmonia entre a população. De fato, um corpo social com a ausência de defeitos é almejado, contudo, tal status ainda não foi atingido, possuindo a sociedade contemporânea inúmeros problemas. Dentre as problemáticas que afetam a sociedade tem-se a desigualdade social, à qual dificulta o acesso a produtos culturais como cinema.

Segundo a Organização das Nações Unidas -ONU-, o Brasil é o oitavo país mais desigual do mundo. Tal desigualdade faz com que mais de 82% da população não consiga frequentar as salas de cinema devido aos altos preços cobrados pelo ingresso. Portanto, infere-se que ao contrário do que afirma o filósofo Confúncio, o acesso à cultura não está acima das diferenças sociais.

Outrossim, de acordo com a Indústria de Frankfurt, a cultura está se tornando uma forma de obter lucro, tornando-se “moda” e sendo limitada a um pequeno grupo. De fato, a teoria mostra-se correta, uma vez que os cinemas do país estão localizado em áreas de renda mais alta dos centros urbanos, possibilitando que seja cobrado altos preços pelos ingressos. Ademais, segundo o filósofo Emmanuel Kant, para uma ação ser considerada ética ela deve ser universal, todos devem poder praticá-la, logo, os altos preços são considerados antiéticos, já que impede o ato de ir ao cinema de ser universal.

Destarte, para que ocorra a mitigação da desigualdade social e a democratização do acesso ao cinema, é necessário que o governo em conjunto com o Ministério da Educação e Cultura -MEC- realize melhoria na educação investindo mais dinheiro na mesma, para que assim seja possível profissionalizar os jovens, possibilitando a obtenção de emprego. Em adição, recomenda-se que o MEC torne gratuíto o acesso de alunos da rede pública ao cinema. Dessa forma, será possível, a médio e a longo prazo, democratizar o acesso aos cinemas.