A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 04/11/2019
Tema ENEM 2019: Democratização do acesso ao cinema
“Todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem os mesmos direitos”. Essa importante premissa do filosofo São Tomás de Aquino ratifica o fracasso brasileiro, sobretudo ao considerar a disponibilidade de exibição de películas por meio do cinema. Nesse sentido, é preponderante reconhecer a fragilidade assistencial, bem como a deplorável manutenção das desigualdades decorrentes disso, com o intuito de mitigar esse cenário nefasto.
Em primeira análise, é necessário destacar a exígua infraestrutura de algumas regiões brasileiras em se tratando do contato com as salas cinematográficas. Acerca disso, é indubitável que a formação das cidades no Brasil foi de maneira não planejada — defluente da negligência e seguidos Governos — o que gerou uma intensa segregação socioespacial. Paralelamente, isso impactou, inclusive, a plena disseminação das salas de cinema — consequentemente a absorção de cultura — de modo que agrava as diferenças sociais. Destarte, a elitização desse modelo de lazer e de informação atrasa tenebrosamente o desenvolvimento social da nação por inteiro e, por conseguinte, deve ser minimizada.
Com efeito, a marginalização do direito a essa atividade lúdica e, decerto, da garantia ao debate público é fatal para a remediação da pobreza. Segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, existe a violência simbólica, isto é, a dominação de uma classe sobre a outra de maneira imperceptível. A esse respeito, a persistente não acessibilidade aos filmes em cartaz para as populações mais afastadas da metrópole excluiu esses indivíduos do questionamento sobre problemas sociais hodiernos demonstrados de maneira mais compreensível nas telas de cinema, tal como o Barroco apresentava mais facilmente conceitos complexos através da arte. Em vista disso, ações mais efetivas do Poder Público são essenciais para frear a conservação do abandono de algumas comunidades ao mundo do cinema.
Impende, portanto, que a exclusão do acesso à indústria cinematográfica é extremamente prejudicial para alguns grupos sociais. Com isso, cabe ao Ministério dos Direitos Humanos implementar salas populares de exibição cinematográfica nos rincões do país. E deve agir por meio de liberação de verbas — com aprovação prévia no Congresso. Essa iniciativa tem o fito de proporcionar a integração cultural da nação, promovendo a ampla oferta aos cinemas. Assim, o Brasil será uma nação mais democrática e mais inclusiva.