A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 04/11/2019

O filme “Vida de Matuto” retrata a história de uma pobre família do interior que se vê obrigada a descolar-se por vários quilômetros de distância para que possam levar seu filho ao cinema. A partir disso, pode-se refletir sobre como a má distribuição dos acervos culturais e a desigualdade social impedem que esta ferramenta de lazer seja acessada de maneira democrática no Brasil.

Em primeiro lugar, é preciso observar como estão distribuídas as instituições culturais pelo território nacional. Segundo dados do Ministério da Cultura, o país dispõe de apenas 2300 centros culturais, dos quais a maioria encontra-se nas capitas e regiões metropolitanas, impedindo que a população das pequenas e médias cidades possam usufruir do entretenimento e das expressões culturais disponíveis nestes locais. Assim, a população do interior tende a acessar materiais culturais por outros meios, como a televisão, internet ou plataformas digitais. Porém, isso acaba por tornar-se um risco para o desenvolvimento cultural do povo,  uma vez que este terá seu acesso à informação limitado.

Além disso, a baixa condição econômica de boa parte da população brasileira e os altos preços dos ingressos também configuram empecilhos para o acesso igualitário aos produtos culturais. Uma vez que as pessoas não dispõem de muitos recursos econômicos, elas consideram mais rentável assistir a filmes e programas de música pela TV, ao invés de ir a estabelecimentos como cinema, teatro ou concertos, onde além de pagarem pelos ingressos, também irão pagar por comidas e bebidas, sem contar no deslocamento até estes locais.

Portanto, mostra-se necessário que o Governo Federal crie um plano orçamentário para reduzir os custos quanto a construção de centros culturais em cidades do interior, para que as empresas deste ramo possam abrir seus negócios no interior, possibilitando que os moradores dessas regiões tenham acesso a materiais culturais, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade brasileira.