A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 04/11/2019
No universo da ficção, a terceira temporada da série “Stranger Things” retrata a expansão do shopping center na cidade e aborda como esse avanço tecnológico propiciou um maior e vantajoso acesso da população às diversas formas de entreterimento, sobretudo, ao cinema. De maneira divergente, no Brasil hodierno, no que concerne à questão da democratização do acesso cultural brasileiro, infere-se que a despeito de haver a existência de diversas espaços culturais ao redor do país, é notório como uma grande parcela de cidadãos não dispõem desse recurso. Tal situação se dá, não só pelo fato das pequenas cidades não oferecerem um retorno econômico relativamente alto, mas também ao deficitário investimento do governo para o desenvolvimento urbano em locais mais pobres. Logo, são fulcrais medidas práticas para modificar esse viés.
Em primeiro plano, convém ressaltar o fato de as cidades do interior serem exacerbadamente desprivilegiadas em relação aos avanços tecnológicos, precipuamente, quando se coloca em análise o acesso dos moradores desses locais ao cinema brasileiro. Dessarte, é mister buscar nos pensamentos de Pierry Levy a ideia de que “Toda nova tecnologia cria seus excluídos”. Diante dessa afirmação, nota-se que o investimento direcionado a essas tecnologias, na maioria das vezes, são pensadas com intuito de obter altos lucros e, devido a isso, locais mais bem desenvolvidos economicamente são sempre apontados como principais pontos para atingir a uma maior quantidade de pessoas. No entanto, essa estratégia acaba resultando na alienação de determinadas pessoas com certas tecnologias, no caso em questão, à democratização do acesso ao cinema e dentre outras culturas.
Ademais, a negligência do governo em investir com o crescimento urbano de cidades do interior, serve como um fator contribuinte para a problemática, visto que a população residente nesses locais serão diretamente afetadas pela falta de alguns recursos que se mostram presentes nas grandes metrópolis. Diante do exposto, consoante o pensador Hegel, é basilar ressair sua ideia de que o estado é o pai da população, e cabe a este cuidar de seus filhos. Nesse sentido, vê-se que é de obrigação do estado se assegurar de que chegue à população mais carente, o mínimo dos recursos tecnológicos, tendo em vista que é mediante aos filmes de TV e internet, que é despertado o interesse cinematográfico e cultural dos indivíduo
Em suma, mecanismos são necessários para mitigar esse cenário, cabe à Câmara dos Deputados em conjunto com o Senado Federal, a aplicação de uma lei que exija que sejam construídas salas culturais em no mínimo setenta por cento das pequenas cidades, afim de ampliar a democratização ao acesso da cultura. Assim, será possível elucidar na realidade o fato abordado em “Stranger Things”.