A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 04/09/2020

No governo Sarney, 1985. Nasce o Ministério da Cultura no Brasil, com a finalidade de promover, gerenciar, financiar e, portanto, valorizar o patrimônio material e imaterial do país. Desde então, torna-se mais fácil aproximar a população de seus costumes. No entanto, mais de 30 anos depois, cabe pensar até que ponto existe esse acesso.

Em primeiro lugar, é importante notar que, segundo o IBGE, apenas 10% dos mais ricos do país são responsáveis por cerca de 40% de todo o consumo cultural do Brasil. Isso é uma retrato da desigualdade cultural brasileira, já que mostra como a maior parte da população não tem acesso a cultura brasileira devido a sua condição financeira e sendo concentrada toda a informação cultural na classe alta que possui dinheiro para poder conhecer os diferente tipos de expressão cultura e de cultivar a cultura. Dessa maneira, observa-se que é preciso igualar a capacidade e o direito de conhecer a cultura independente da classe social com que as pessoas se encontram.

Agregando essas informaçoes, um país que deveria ser símbolo de variedade, de mistura de tons e costumes, acaba se resumindo a uma cultura monocromática, e o acesso, que já é pouco, fica prejudicado por uma falta de interesse dos próprios cidadãos. Sabe-se que é importante garantir o acesso à leitura, ao teatro, ao cinema. No entanto, é preciso, em primeiro lugar, que a população perceba a importância desses itens para a formação de um indivíduo. Possibilitar essa aproximação – o que tem sido pouco feito – sem criar essa consciência no povo brasileiro não é resolver, mas mascarar o problema da falta de democratização.

Urge, portanto, que o processo de aproximação do povo brasileiro com seu patrimônio cultural está longe de acabar. Ainda há muito o que ser feito. Um bom caminho seria a promoção dos costumes de grupos desprivilegiados socialmente, tanto por parte do governo quanto da mídia e iniciativa privada, para divulgação e valorização das práticas e manifestações, por meio de programas de televisão, campanhas e até festivais temáticos. Além disso, a criação de locais de estímulo ao contato das crianças, adolescentes e adultos com o universo literário e cinematográfico, por exemplo, poderia representar uma tentativa de democratização mais tangível e realizável. Só assim poderemos alcançar, de vez, o colorido cantado por Ary Barroso na histórica Aquarela do Brasil.