A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 05/09/2020

Desde o “Século das Luzes”, comumente conhecido como Iluminismo, ocorrido no século XVIII, na Europa Ocidental, teóricos da época pregavam que uma sociedade só progride quando seus cidadãos se mobilizam com o  intuito de solucionar conflitos do corpo social. Não obstante, verifica-se, na contemporaneidade, que os empecilhos para a democratização do acesso à cultura no Brasil vão de encontro aos ideais iluministas, uma vez que estes apresentam-se como um obstáculo para o desenvolvimento intelectual da população. Dessarte, é categórico que planos sejam aplicados para alterar esse nocivo cenário que possui como causas: a negligência Estatal e o silenciamento social.

Mormente, é fulcral destacar que o óbice em questão deve-se muito à baixa atuação do Governo no que se concerne à elaboração de políticas públicas que promovam, de maneira efetiva, melhorias na democratização do acesso à cultura no Brasil. De acordo com Thomas More, o Estado é responsável por garantir o bem-estar social, todavia, isso não ocorre no Brasil. Consoante a isso, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 30% da população brasileira frequenta salas de cinema, teatro, museus e espaços culturais multiuso. Desse modo, faz-se mister que ocorra uma reformulação dessa postura estatal de maneira urgente.

Outrossim, é imperativo pontuar que a problemática deve-se muito ao descaso e silenciamento social. Nessa lógica, o filósofo Karl Marx teceu diversas críticas, em suas obras, acerca da atuação governamental em relação à educação cidadã nas sociedades. Tratando-se da democratização do acesso à cultura no Brasil, é possível perceber que as críticas de Marx se fundamentam, pois o Estado brasileiro não promove a conscientização social em nenhuma de suas instâncias, como escolas ou meios de comunicação, ferindo, assim, a cidadania e as garantias constitucionais.

Isto posto, é axiomático a necessidade de intervenção no que tange à problemática. Para tanto, o Governo Federal, como instância máxima da administração executiva, deve exigir que prefeituras criem pontos culturais públicos e gratuitos à população, como museus, teatros, filmes e exposições de arte, em praças e parques municipais, por meio de verbas governamentais, promovendo, assim, uma maior acessibilidade à cultura, além da elaboração de políticas públicas para orientar a população brasileira a respeito de tal prática, de modo que ocorra a massificação do termo na sociedade, por intermédio de propagandas acerca do tema. Ademais, a mídia como um todo deve promover, em nível mundial, palestras educacionais por meio do ambiente virtual, os cursos deverão ocorrer gratuitamente com profissionais capacitados, a finalidade de tal efeito encontra-se em diminuir o número de casos e proporcionar uma consciência coletiva.