A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 23/09/2020
De acordo com o sociólogo brasileiro Herbert José de Souza; “Um país não muda pela sua economia, nem mesmo pela sua ciência, muda sim pela sua cultura”. Nesse sentido, é indubitável a uma sociedade a importância do acesso à cultura, entretanto, no Brasil, infelizmente, a depreciação dessa é a realidade da nação, dado que, além da irresponsabilidade estatal, uma mentalidade extremamente instrumental do governo vigente. Logo, é indispensável destrinchar os desafios da democratização do acesso à cultura no país.
Em primeira análise, o desapego do Estado em relação aos direitos culturais está intimamente ligado à problemática. Desenvolvendo essa proposição, o artigo 215 da Constituição Cidadã de 1988 garante não apenas o pleno exercício de tais direitos como também a possibilidade de consumo à manifestações culturais. Contudo, o triste momento atual do país torna evidente o não cumprimento fiel destas assegurações, dessa forma, deixando clara a incompetência da máquina pública e o desinteresse na reversão desse quadro.
Em segunda análise, o pensamento nacionalmente enraizado tendência a uma aculturação do povo. Progredindo esse postulado, recentemente, a máxima classista e maquiavélica do então Ministro da Economia, Paulo Guedes, acerca dos livros serem exclusivamente de elites econômicas demonstra isso com precisão. Seguindo essa lógica, torna-se indiscutível que a mecanização da sociedade brasileira é um pensamento expressado, paradoxalmente, por quem é responsável em quebrar tal estigma, assim, demonstrando a pobre concepção utilitarista por parte do governo, o que corrobora ainda mais com a tese da desatenção na cultura.
Infere-se, portanto, a irrevogabilidade do nevrálgico déficit cultural brasileiro. Por isso, cabe a Secretaria Especial da Cultura, no intuito da acessibilidade desta a todo povo, independente de sua classe social, fomentar a sua procura, de modo que seja facilitada dependendo do contexto socioeconômico, por meio do incentivo brutal nos meios difusores, de maneira que sejam estes a prioridade total daquele órgão. Enfim, dando a devida importância ao ilustre pensador referenciado e, por conseguinte, rompendo com o demérito supracitado.