A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 24/09/2020
No livro ‘’Fahrenheit 451’’, se passa que algumas pessoas arriscam as suas próprias vidas para manter o acesso a seus livros ou a sua cultura, num mundo distópico, onde os bombeiros ao invés de apagar, causam incêndios, tendo como alvo, justamente, esses livros. De maneira análoga a essa obra, populações de países em desenvolvimento, principalmente, tem o acesso à cultura podado, de maneira sutil, seja pelo Estado, seja pelas indústrias. Então, uma análise acerca dessas duas formas de controle que comprometem a democratização do acesso à cultura no Brasil faz-se necessária.
Em primeiro lugar, é fundamental a pontuação de características do gerenciamento público que atrapalham na disposição igualitária dos meios culturais no Brasil. Nesse sentido, observa-se que a má gestão do dinheiro público, em forma de má distribuição da infraestrutura, é uma causa da falta desse acesso, haja visto que teatros municipais, espetáculos musicais e museus, por exemplo, são concentrados, muitas das vezes, nos estados mais ricos, como São Paulo e Rio de Janeiro, sem necessidade. Ademais, nota-se, também, uma tendência neoliberalista ao não investimento em políticas que não geram retorno financeiro ao Estado, por exemplo, no caso do governador de São Paulo, Dória, que congelou, em 2020, 150 milhões de reais destinados à Secretaria da Cultura, de acordo com o G1. Logo, concebe-se que a democratização do acesso a cultura não é o foco das políticas nacionais.
Contudo, não são só os órgãos públicos que escolhem definhar as pessoas no que diz respeito à obtenção da cultura. Nessa perspectiva, com o fortalecimento do Capitalismo, juntamente com a Terceira Revolução Industrial, a busca incessante por capital, faz com que muitas indústrias do ramo da cultura e entretenimento, tais como as do cinema e dos shows musicais, ramo essencial à civilização humana, se concentrem nas regiões mais ricas do país, pois essas regiões geram mais lucro, deixando, assim, a conquista da cultura pelo povo desigual. Além disso, como são empresas privadas em país subdesenvolvido, lhes são concedidos vários benefícios fiscais pelo Estado, o que, consequentemente, resulta no preço abusivo de seus produtos, tais como ingressos para shows e cinemas, livros, etc.
Depreende-se, portanto, que medidas visando à democratização do acesso à cultura no Brasil são de extrema importância. Para tanto, o governo deve continuar com a promoção de seus auxílios, como o Vale-Cultura, porém, deve, também, regular, mediante projetos de leis do senado, essas empresas de forma que estas se desconcentrem, espacialmente, e cobrem valores justos à realidade brasileira pelos seus produtos. Isso tudo com a finalidade de que o acesso à cultura, ao lazer e ao entretenimento sejam propagados pelo território brasileiro. Somente assim se poderá não ter que arriscar a própria vida no adquirir da cultura pelas próximas gerações, como no livro, pois ela será universalizada.