A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 31/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social caracteriza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a democratização do acesso à cultura no Brasil apresenta barreiras, que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto do elevado preço de acesso, quanto do crescimento desenfreado das cidades.
Primeiramente, é imprescindível destacar que o alto preço de entrada em locais de lazer deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne a criação de mecanismo que coibam tais recorrências. Desse modo, segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Nesse sentido, devido a falta de atuação das autoridades, a não ocorrência da democratização do acesso à cultura é consequência do elevado custo para a visitação desses locais, que deriva da grande carga tributária nesse setor. Por consequência, esse cenário dificulta a fomentação da entrada de pessoas em áreas de lazer.
Outrossim, cabe salientar que o crescimento acelerado das cidades propicia a expansão de alguns setores em detrimento de outros. Dessa forma, segundo o filósofo Émile Durkheim, “a interpretação adequada do coletivo ocorre por meio do entendimento das forças que estruturam a sociedade, como os eventos históricos e as relações sociais”. A partir desse pressuposto, é notório que em meados do século XX, no governo de Juscelino Kubitschek, houve um desenvolvimento rápido das cidades, principalmente, pelo seu plano de “50 anos em 5” que tinha como objetivo expandir os setores industriais, construção civil e automobilístico, optando por investir menos em setores como o de lazer. Por conseguinte, esse fato propiciou o surgimento de cidades sem locais de entretenimento, dificultando, assim, a democratização do acesso a esse serviço.
Portanto, é mister que, para atenuar a problemática, cabe ao Ministério da Economia diminuir o valor dos ingressos para a entrada em áreas com atividades culturais, por meio da redução da carga tributária sobre essas atividades, com o objetivo de fomentar a visita das pessoas nesses locais. Ademais, cabe ao Estado, em parceira com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, realizar uma pesquisa de campo, fazendo entrevistas com indivíduos de todas as regiões do país, para identificar cidades que não possuam locais para ocorrer atividades de lazer. A partir disso, disponibilizar capital para a construção dessas áreas, a fim de desenvolver esse setor e democratizar o acesso à cultura. Nessa perspectiva, haverá uma sociedade que buscar aproximar-se da ideia defendida no livro de More.