A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 15/11/2020

A obra “Fahrenheit 451” , de Ray Bradbury, retrata um cenário distópico, no qual a literatura, a arte e o passado histórico de um país são desprezados pela sociedade, em função da ascensão de um regime político totalitário. De maneira análoga, a realidade brasileira hodierna assemelha-se à ficção, uma vez que o acesso à cultura encontra desafios para ser democratizado. Dessarte, essa conjuntura é inconcebível e seus fatores de perpetuação merecem ser mitigados, tais como a negligência governamental e o preconceito socioeconômico.

De início, é imperativo elucidar que a Carta Magna, promulgada em 1988, assegura o direito de acessibilidade aos artefatos e manifestações culturais a todos os cidadãos. Todavia, tal prerrogativa constitucional faz-se pouco efetiva em metodologias de praxe, haja vista a falta de incentivos governamentais para a inclusão do lazer e do bem-estar no cotidiano de grupos socialmente marginalizados. Sob esse viés, esse fenômeno patológico associa-se à produção literária “Cidadãos de Papel” , idealizada por Gilberto Dimenstein, a qual disserta acerca da falta de acesso aos benefícios normativos por grande parcela populacional. Desse modo, evidencia-se a importância de reformular a aplicação de políticas públicas vigentes, a fim de contornar o problema exposto.

Sob outro prisma, estereótipos socioculturais, atrelados à visão preconceituosa sobre questões socioeconômicas, agravam a problemática em pauta. Isso ocorre devido ao Brasil possuir a segunda maior concentração de renda no mundo, de acordo com dados oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU). Dessa maneira, a percepção classista sobre quem deve ter acesso aos bens culturais constitui um impasse para a democratização da cultura no Brasil, porquanto apenas as classes sociais mais abastadas são favorecidas nesse aspecto. Logo, é perceptível que a desigualdade supracitada é inadmissível e deve ser viabilizada.

Em síntese, a observação crítica dos fatos mencionados reflete que a cultura deve ser plenamente universalizada no Brasil contemporâneo. Portanto, compete ao Governo Federal - instância máxima da administração federativa - por meio de parcerias público-privadas, criar um programa nacional de inserção de eventos artísticos, musicais e de literatura gratuitos em comunidades e municípios carentes. Para tanto, as empresas colaboradoras deverão disponibilizar recursos monetários à prefeitura local, em troca de redução tributária, com a finalidade de tornar os mecanismos culturais mais acessíveis às esferas sociais excluídas e, dessa forma, romper com a ótica social elitista. Ademais, a mídia, a partir de seu poder informacional, deve proporcionar sites de leitura e filmes on-line gratuitamente. Assim, o aparato legislativo será mais eficiente em métodos práticos.