A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 20/11/2020

A cultura é fundamental para a formação da sociedade, como base da nação e de seus valores.  Ela faz-se presente nas relações sociais, na educação, na literatura e nas manifestações artísticas, como a arte, dança, música, cinema, entre outros. Porém, no Brasil, o acesso à cultura de forma igualitária, independente de condições financeiras ou classe classe social, não ocorre. Pode-se atribuir esse fato à colonização e à educação brasileira, que fragmentam o indivíduo e a cultura.

Primeiramente, deve-se lembrar que o Brasil foi uma colônia de exploração, com a finalidade de enriquecer a Coroa Lusitana, acontecendo, por isso, a formação tardia da urbanização e de estruturas como universidades, teatros, museus e bibliotecas. Assim, apenas com a vinda da família real ao Brasil, em 1808, que os equipamentos culturais foram impulsionados, sendo ainda criados de maneira centralizada e orientada às elites. Esse fato ainda ecoa nos dias atuais, com a infraestrutura direcionada à cultura concentrada em centros urbanos, restringindo sua acessibilidade ao resto da população. Além disso, muitas vezes a cultura é limitada àqueles com capital econômico, como por exemplo, a literatura, uma vez que o preço dos livros são elevados, e as bibliotecas públicas encontram-se debilitadas em grande parte dos municípios.

Além disso, vê-se a lógica de Pierre Bourdieu, que explica a intersecção entre o indivíduo e a sociedade, que seria a criação do ‘habitus’, a incorporação do social realizada nos processos de aprendizagem e escolha. Assim, O sociólogo descreve como a interiorização do capital cultural e do econômico gera variadas disposições no indivíduo, o habitus, que diferencia os espaços a serem ocupados pelos homens. Assim, dificilmente uma criança que não teve acesso à educação, museus, música ou literatura, criará o hábito de frequentar ambientes semelhantes a esses, justamente por esse aspecto não ter sido interiorizado em si.

Dessa forma, pode-se afirmar que o problema não está apenas na falta e concentração dos equipamentos culturais e da renda, embora esses sejam essenciais, mas também na própria falta de estímulo ao indivíduo a interagir com a cultura. Com isso, para que a cultura seja democratizada, o Governo deve incrementá-la na educação, com excursões a museus, teatros, cinemas e programas de leitura e música, assim como a mídia deve disponibilizar, na TV aberta, apresentações e manifestações artísticas, de forma que possa atingir todas as camadas da sociedade. Além disso, pode-se promover projetos como o ‘‘vale-cultura’’, que aumentam as oportunidades de equidade cultural. Assim, somente dessa forma que a sociedade conseguirá romper com a elitização da cultura e sua dissociação com o indivíduo, tornando seu acesso igualitário a todos os cidadãos.