A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 27/11/2020

A Constituição Federal, de 1988, prevê o direito de acesso à cultura para todos os cidadãos de maneira democrática. No entanto, no cenário brasileiro atual, observa-se justamente o contrário, uma vez que parte da população é excluída desse processo. Nesse sentido, percebe-se a configuração de um grave problema de contornos específicos, em virtude do legado histórico, bem como, pelo silenciamento.

A princípio, a falta de um melhor entendimento histórico sobre o tema, caracteriza-se como um complexo dificultador. Nessa perspectiva, de acordo com o antropólogo Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente a conjuntura social atual por meio do entendimento dos eventos históricos. Nesse sentido, a dificuldade de acesso aos meios de entretenimento, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado político brasileiro, que não promoveu o acesso às formas de cultura para parcela social menos favorecida. Assim, conforme Cazuza, o futuro repete o passado.

Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da falta de debate. Sob essa ótica, o filósofo Foucault defende que, na sociedade pós-moderna, alguns temas são silenciados para que as estruturas de poder sejam mantidas. Nessa perspectiva, observa-se uma lacuna no que se refere ao debate em torno do acesso à cultura de maneira ampla, geral e irrestrita, que ainda é muito silenciada. Assim, sem diálogo sério e massivo sobre esse problema, sua resolução é impedida.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Portanto, como solução, é preciso que as escolas, em parceria com a prefeitura, promovam um espaço para rodas de conversa e debates sobre como promover o ingresso à cultura. Tais eventos podem ocorrer no período extraclasse, contando com a presença dos professores e convidados especialistas no assunto. Além disso, tais eventos não devem se limitar aos alunos, mas ser abertos à comunidade, a fim de que mais pessoas compreendam questões relativas à democratização da cultura e se tornem cidadãos mais atuantes na busca de resoluções.