A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 08/12/2020

No período colonial, após 1530, Portugal passou a estimular o povoamento do território brasileiro, contudo, além dos povos que a Coroa mandava, haviam nativos e a entrada de outros estrangeiros nesta terra, tornando a população miscigenada. Assim, o espírito nacionalista, concretizado pelos temas do romantismo, é caracterizado por ser formado por uma cultura diversificada, sendo possível observar as particularidades das pessoas de cada estado e região do país. No entanto, devido ao processo de globalização, a diversidade começou a ser ameaçada, todavia, com a desigualdade social, o acesso aos meios que disseminam e promovem o entendimento sobre as culturas é limitado.

Em primeira instância, a globalização é estruturada pelo capitalismo e interfere em todas as ordens sociais: política, econômica e cultural. Como foi propagado pelos teóricos da Escola de Frankfurt, o atual sistema econômico voltado para a acumulação de capitais financeiros sustenta a indústria cultural, ou seja, apoia as produções de obras voltadas para o mercado, trazendo como consequência a banalização da personalidade social. Visto isso, a alienação de uma sociedade é efetivada e verifica-se a acentuação da desigualdade quando alguns grupos sociais não têm acesso a estas produções.

Do mesmo modo, o desenvolvimento desta indústria promove a adição de mais uma problemática anexa à desigualdade social. Como foi preconizado pelo sociólogo Zygmunt Bauman por meio da explicação do termo “infraclasse”, as classes mais baixas estão sob uma contínua condição de subjugação e são constantemente manipuladas. Sendo assim, é perceptível que este grupo é vítima da falta de conhecimento acerca da sociedade e do mundo, intensificado pela desvalorização da cultura, pois, diante da identidade de cada povo e do estudo, são possíveis tanto o estímulo para formar-se uma mente crítica e racional quanto o consequente julgamento das decisões que cabem ao indivíduo. Impende-se, portanto, que a cultura é a expressão da identidade nacional e garante o livre-arbítrio. Logo, cabe à Secretaria da Cultura promover a produção de filmes, livros e esculturas, através, por exemplo, da ampliação dos investimentos na Agência Nacional do Cinema (ANCINE) e da abertura de bibliotecas públicas, fazendo com que as escolas, as universidades e os próprios indivíduos tenham uma maior acessibilidade em obter conhecimentos e propagarem os diversos costumes brasileiros. A partir da concretização gradual desta intervenção, o sentimento brasileiro financiará a renovação do nacionalismo que antes fora empregado pelos românticos.