A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 06/01/2021
Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), a minoria dos brasileiros frequenta cinema uma vez no ano, a maioria dos cidadãos brasileiros nunca frequentou museus ou jamais frequentou alguma exposição de arte e 70% da população do Brasil nunca assistiu a um espetáculo de dança. Desse modo, observa-se um acesso limitado e desigual às manifestações e aos espaços culturais no Brasil contemporâneo. Tal fato é causado pela desigualdade social e pela desvalorização da cultura local pelas classes dominantes, o que leva à perda da identidade nacional e à ameaça à memória brasileira.
Primeiramente, um entrave, que impede a isonomia do alcance à cultura brasileira, é a elitização dos produtos culturais, ou seja, o alto custo para frequentar, museus, cinemas, shows, entre outros espaços artístico-culturais, no Brasil. Tal situação é confirmada por um estudo realizado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), o qual mostra que 71% das pessoas entrevistadas apontaram os altos preços como o maior empicilho para usufruir os bens culturais. Diante disso, nota-se que as camadas sociais mais populares, que constituem a maioria da população brasileira, tendem a ser excluídas dos elementos culturais, o que demostra uma alarmante possibilidade de extinção de parte da cultura brasileira no futuro.
Ademais, outro fator que coloca a cultura nacional em risco é a depreciação cultural praticada pela população da classe alta, que vê as tradições nacionais como inferiores as dos demais países. De fato, tal atitude relaciona-se ao conceito “Complexo de vira-lata”, trazido pelo escritor e dramaturgo Nelson Rodrigues, quando ocorre a desvalorização de elementos nacionais e a supervalorização de constumes e espaços estrangeiros. Nesse contexto, percebe-se que há um desconhecimento do conceito e da importância patrimonial local, o que implica em um desrepeito à diversidade cultural e menospreza as peculiaridades do povo brasileiro.
Portanto, a fim de tornar a cultura acessível a toda população, cabe ao Ministério da Cultura, por meio do legislativo, criar cotas que tornem mais prático o acesso das pessoas carentes aos espaços culturais, como os cinemas, teatros e museus, de modo a enfraquecer a elitização dos produtos culturais presente na contemporaneidade. Além disso, com o intuito de moldar uma nova mentalidade nos futuros cidadãos brasileiros, as escolas - principais formadoras da moral e das informações dos alunos - devem abordar em sala de aula a questão cultural fora do senso comum, mostrando a diversidade de culturas e suas contribuições, com vistas a incentivar a valorização da cultura nacional. Somente assim, a indentidade brasileira será prestigiada e conservada.