A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 15/04/2021

O livro “O cortiço”, de Aluísio Azevedo, retrata a vida de algumas pessoas na favela que porventura, enfrentam preconceitos para com sua cultura, devido, geralmente, a falta de conhecimento por parte dos preconceituosos. Fora da ficção, o que foi descrito na obra relaciona-se com um problema da atual conjuntura brasileira, em que a sociedade, de modo geral, tem a tendência a ignorá-lo: democratização do acesso à cultura. Desse modo, urge a necessidade de atentar-se a como a insipiência estatal e o meio social fomentam a problemática.

Primeiramente, há de se constatar a displicência governamental. Precipuamente, a Constituição Federal de 1988 garante acesso cultural para todos. Entretanto, ao analisar a carência de políticas públicas disponibilizadas pelo governo a fim de cumprir com o preceito mencionado, é perceptível que essa premissa constitucional não é devidamente valorizada, uma vez que apenas 5% das cidades possuem uma galeria de arte, conforme i IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Dessa forma, percebe-se que o imbróglio fere os princípios normativos da Constituição e recrudesce o cenário em que a cultura não é devidamente valorizada.

Posteriormente, vale ressaltar que a sociedade corrobora esse quadro. Ademais, de acordo com Heidegger, filósofo alemão, o homem se constrói na medida de suas interações. Analogamente, as pessoas ao não adquirirem acesso às culturas diferentes e tampouco entender como funciona a crença de outrem, podem acabar por cometer atos de intolerância, racismo ou até mesmo ódio contra as sujeitos que possuem diferentes culturas. Nesse viés, por exemplo, a cultura africana, como as bolsas de mandinga ajudaram os negros a se manterem otimistas em relação à situação do escravismo da época. Desse modo, confirma-se, lamentavelmente, que a ausência de cultura fomenta em algumas divergências entre os cidadãos.

Destarte, medidas fazem-se relevantes para salientar a importância da acessibilidade à cultura. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, às mídias e dentro das escolas, instituir projetos como o “Obtenha conhecimento acerca de diferentes culturas”, responsável por educar socialmente os estudantes e suas famílias. Isso deve ser realizado por meio de trocas de experiências em workshops administrados por professores, a fim de expor, debater e combater as consequências do desconhecimento da cultura de terceiros. Assim, será possível distanciar-se do hediondo cenário apresentado por Azevedo.