A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 18/05/2021

O escritor paulista Gilberto Dimenstein em um de seus livros, cita o termo “cidadania de papel” que diz respeito aos direitos que são previstos na constituição, mas que não ocorrem na prática. Esse termo está diretamente relacionado ao acesso à cultura no Brasil, visto que, é algo garantido na Carta Magna, mas não é democrático a todos. Isso se deve principalmente, pela elitização que não inclui todo o corpo social à essas atividades e pela falta de divulgação de programas sociais já existentes.

Em primeiro lugar, devemos ressaltar que, devido a desigualdade social, indivíduos de baixa renda não costumam frequentar peças de teatro, exposições de arte, cinema, dentre outras atividades culturais por possuírem um valor aquisitivo muito alto. Esse fato pode ser explicado pela Teoria da Indústria Cultural, citada no livro “Dialética do Esclarecimento” por Adorno e Horkheimer, em que os estudiosos apontam a cultura como algo comercial, que visa apenas o lucro e é dominada pelos grandes empresários. Além disso, cidades pequenas não possuem shoppings e centros comerciais, onde estão concentrados os maiores números de cinemas e teatros, tornando assim, o acesso distante de muitos.

Em segundo lugar, podemos observar que, os poucos programas sociais que incluem algumas parcelas da população à essas atividades, como por exemplo, o ID Jovem que garante meia entrada em teatros e cinemas para jovens adultos, não são divulgados em plataformas de fácil acesso à toda a população, visto que, na maioria dos casos as informações se encontram apenas na Internet. Por conta disso, aqueles indivíduos que não têm acesso a esse mecanismo acabam ficando prejudicados e sem o conhecimento de seus benefícios, fazendo com que esse direito não seja de fato igualitário a todos.

Portanto, para que esse problema seja resolvido, cabe à Secretaria da Cultura e aos demais órgãos competentes, como garantidor dos direitos individuais, a criação de projetos de inclusão que ofereçam acesso gratuito à manifestações artísticas para cidadãos de baixa renda e a devida divulgação daqueles que já são existentes por meio de propagandas em emissoras de televisão para que alcance o maior número de espectadores com o objetivo de tornar, de fato, a cultura democrática no Brasil.