A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 23/05/2021

“A cultura está acima da diferença da condição social” dizia Confúcio, um pensador e filósofo chinês que fundamenta o direito essencial de acesso à cultura. Apesar de ser uma bela frase, ela não reflete a atual conjuntura brasileira, visto que no Brasil evidencia-se uma triste segregação cultural. Sendo assim, fica clara a necessidade de um maior incentivo governamental. A falta de acessibilidade aliada à mercantilização cultural e a grande disparidade social são os desafios para uma eficiente democratização da cultura no país.

Em primeiro lugar, é necessário frisar que a cultura é a grande responsável por materializar o direito do ser humano de ser quem é, perpetuada nas gerações vindouras. É o modo como um povo sente e se expressa, segundo uma mesma identidade e é um dos primeiros contatos que o indivíduo tem com ensinamentos. Apesar de sua extrema importância, apenas 13% dos brasileiros vão ao cinema alguma vez no ano e mais de 92% nunca foram a um museu ou exposição de arte, segundo dados da UNESCO. Essa disparidade acontece porque a administração pública ignora o potencial transformador que o acesso à cultura pode fornecer ao cidadão, seja ao ter à disposição uma boa biblioteca, seja ao assistir uma peça teatral. Por isso, esse desamparo cultural realizado pelo Estado, acaba gerando indivíduos ignorantes e sem censo crítico, aptos a serem manipulados e enganados por todo tipo de pessoa.

Análogo a esses fatores, em decorrência dessa desvalorização por parte do Governo, a cultura no Brasil ganhou um status elitista, pois os indivíduos mais pobres não se enxergam como público alvo de concertos musicais e exposições em museus, por exemplo. Indubitavelmente neste aspecto, cabe ressaltar que os altos valores cobrados por parte de bilheterias de cinemas e teatros é fator fundamental para a segregação de classes sociais. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) 13 milhões de brasileiros estão desempregados, logo, é inevitável o distanciamento deles aos eventos culturais. Sendo assim, essa elitização da cultura é um dos grandes entraves para a democratização dela mesma, impedindo muitas vezes que um indivíduo conheça melhor sua própria cultura e raízes históricas em detrimento de uma maior alienação por parte do governo.

Portanto, a fim de atenuar a questão da democratização do acesso à cultura no Brasil, cabe ao Poder Executivo aliado ao ministério da Economia promover créditos em dinheiro para populações de baixa renda, por meio da aprovação de leis, a fim de que possam investir em lazer e cultura. Todo mês, o Governo deve oferecer junto ao salário mínimo, um vale para que o indivíduo possa fazer programas culturais com sua família. Dessa forma, o trabalhador poderá ter acesso à cultura e o Estado estará promovendo para seus cidadãos um maior conhecimento de sua própria história e educação.