A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 11/06/2021

Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os obstáculos. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade brasileira hodierna, percebe-se o oposto dos ideais de Platão, visto que a democratização do acesso à cultura representa um empecilho de grandes proporções. Assim, é notório que esse cenário antagônico e fruto tanto da negligência estatal, quanto as altas taxas de entrada para se ter acesso a cultura no Brasil.

Em primeira análise, é imperioso analisar a ausência de medidas governamentais para combater a negligência estatal. De acordo com o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, porém esse preceito não é concretizado na sociedade, uma vez que o Estado não cria medidas públicas voltadas à esse desleixo estatal e, como consequência desse abandono, a desigualdade na nação verde-amarela sobe cada vez mais, dificultando o acesso à cultura por parte da população de baixa renda, como também, a falta de investimentos nessa área faz com que haja dificuldade em montar espetáculos públicos. Dessa forma, fica claro, que as autoridades, com urgência, precisam mudar o seu posicionamento diante do impasse.

Outrossim, é crucial explorar o efeito das altas taxas para se ter acesso a sapiência como outro agente influenciador do revés. De acordo com Herbert José de Sousa (Betinho), sociólogo e ativista dos direitos humanos brasileiro, “Um país não muda pela sua economia, sua política e nem mesmo sua ciência; muda sim pela sua cultura.”. Diante desse pressuposto, percebe-se que as altas cobranças por aproximação a cultura no Brasil, só aumentam a tribulação, fazendo o corpo social tendo incompatibilidade de manter uma frequente visita à os meios culturais, os deixando cada vez com menor interesse pelo setor. Destarte, tudo isso retarda a resolução da barreira, já que o custo de aglomeração a cultura, contribui para a perpetuação desse cenário caótico.

Interfere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos desafios para combater a desinteligência do acesso à cultura no Brasil. Assim, o Ministério da Cultura - órgão governamental responsável pela cultura - deve criar, mediante verbas governamentais, projetos e instituições públicas. Isso pode ser feito por meio de profissionais da área de lazer, em lugares como praças, de modo a utilizar teatro e dança como ensinamento de educação, lazer e bem-estar, a fim de que todos os cidadãos tenham oportunidades de terem contato com a cultura. Com essa ação, a sociedade brasileira poderá chegar perto das convicções platônicas e, além disso, alcançar o bem-estar social.