A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 17/06/2021

Na obra ‘‘Sápiens - Uma Breve História da Humanidade’’ Yuval Harari, historiador israelense, disserta sobre a Revolução Cognitiva que fez com que os seres humanos agrupassem-se. Essa dinâmica culminou na sociedade atual, que embora corresponda ao estágio mais avançado do processso, apresenta impasses, como a falta de democratização ao acesso à cultura pelos brasileiros, um entrave para a continuidade de seu desenvolvimento. Diante disso, para fundamentar a discussão, é essencial excogitar que esse problema reverbera-se como um desafio hodierno, não só em razão da elização da cultura, mas, também, pela dificultação de seu acesso pela população carente.

Mormente, é preciso ponderar que a população é dividida em dois polos díspares e apenas o mais abastado deles tem contato com a cultura. Nessa perspectiva, na tela “Operários”  da pintora brasileira modernista, Tarsila do Amaral, são retrados trabalhadores a frente de um cenário industrial, que vistos de longe parecem iguais, mas, de perto, suas caracteristicas diferem-se. Desse modo, a elitização do acesso a cultura é evidente na sociedade e se reflete no quadro de Tarcila, por que o alto custo para contemplar cinemas, teatros, museus, por exemplo, acaba por criar diferenças nos cidadãos o que resulta na inacessibilidade de parte deles.

Outro fator pertinente, em questão, é a inexistência de estruturas culturais em parte das localidades urbanas como uma das causas para a dificuldade de acalce dos indivíduos pertencentes a essas regiões. Com isso, Adoniram Barbosa, em sua música “Saudosa Maloca”, canta as transformações de São Paulo, especulação imobiliária e, decorrente disso, a segregação espacial de parte da população que migra para locais mais distantes, pois os bairros, antes habitados por eles, passam a ter o custo de vida alto. Esse fenômeno urbano, retratado nos versos de Adoniram, afasta a população mais carente, o que faz a participação desses individuos na cultura, fator importante para a construção do indivíduo como pertencente da sociedade, ainda mais difícil, e contrasta com o dinamismo evolutivo salientado por Harari, uma vez que simboliza um obstáculo a ser enfrentado para o aperfeiçoamento social.

É imprescindível, então, buscar caminhos para a dissolução dessa problemática. Por esse ângulo, é impertivo que o governo, por meio de verbas, financie a construção de estruturas como salas de cinema e exposição de artes, nos locais mais afastados para garantir o acesso igualitário a todos. Outra diligência cabivel a esse orgão, é, por intermérido de incentivos fiscais, oferecer discontos no valor dos ingressos de museus e cinemas á pessoas que desejem frequenta-los e não tem condições socioeconomicas para pagar o seu custo integral. Com essas medidas, é possível dar seguimento á Revolução Cognitiva humana, em favor de um coletivo que, de forma integral, alcance os recursos culturais .