A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 17/06/2021

A criação do Ministério da Cultura, durante o governo de José Sarney, foi fundamental para a valorização das tradições nacionais e promoção da liberdade de expressão no Brasil. No entanto, apesar de tal efervescência, a democratização do acesso à cultura conta com proteção que a limitam. Tal problemática deve-se tanto a fatores de ordem governamental como de ordem social.

A priori, tem-se que a negligência estatal diante do acesso desigual à cultura consolida o impasse, bem como rompe com a teoria do filósofo São Tomás de Aquino de que todos os civis devem ser auxiliados. Isso porque, o Estado, por não investir suficientemente em estruturas que promovem a manifestação artística - como salas de cinemas, museus e bibliotecas - corrobora com o atual apartheid cultural existente no Brasil. Dessa maneira, a falta de integração e de acessibilidade, sobretudo para regiões remotas do país, contribui com a monopolização da arte aos grandes centros urbanos bem como às pessoas de maior poder aquisitivo.

Outrossim, vale ressaltar que a comercialização da cultura, intensificada com a globalização e já citada pelo filósofo Theodor Adorno, dificultará o acesso democrático uma vez que torna os valores patrimoniais - e que será contemplado por todos - em produtos que visam apenas a lucratividade. Ademais, por conta de tal industrialização cultural, a pluralidade da arte é limitada àquelas que alcançam maiores lucros, fazendo assim com que algumas produções artísticas se destaquem em detrimento de outras. Exemplo disso é que danças como o frevo e o sapateado, por não apresentarem alto valor lucrativo, não são incentivadas como escola.

É visível, portanto, que o acesso cultural no Brasil conta com entraves que precisa ser contidos. Logo, cabe às instituições educacionais, aliadas às mídias públicas, deliberar acerca do tema - haja vista a forte influência que exercem na população - por meio de debates, tanto nas salas de aulas como nas redes sociais, que visem promover a popularização dos mais variados tipos de manifestações culturais, além de incentivar um maior contato com a cultura brasileira. Para mais, os órgãos governamentais devem investir na multiplicação de teatros, museus e cinemas, principalmente em regiões periféricas, além de ampliar o vale-cultura, com o fito de garantir um acesso mais efetivo. Dessa forma a situação será atenuada e as ideias Aquinianas serão melhor aplicadas.