A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 29/06/2021
“O investimento em lazer é muito escasso. O centro comunitário é um fracasso.” A música “Fim de Semana no Parque” do Racionais Mc´s fala sobre a segregação socioespacial existente entre moradores da periferia e moradores de bairros de luxo. Principalmente, quanto ao acesso à locais de difusão de cultura. Para além da lírica, hoje, no Brasil, ainda há necessidade da democratização do acesso à cultura. Tal fato se deve, sobretudo, devido à elitização da cultura e à falta de estruturas que ajudem a difundi-la. Desse modo, é necessário achar soluções para o problema em questão.
Em primeiro plano, é pertinente trazer o conceito de “Fetiche da Mercadoria” do filósofo Karl Marx, que é definido pela maneira a qual o produto adquire um valor final simbólico muito maior que o preço de custo. Sob essa óptica, pode-se colocar os meios culturais, como cinemas, teatros e museus, como tal produto, os quais acabam custando um valor muito mais alto do que realmente valem. Por conseguinte, apenas a parcela da população com maior poder de compra tem alcance à esses lugares. Logo, o acesso à cultura, o qual deveria ser um direito de todos, fica limitado à elite e vira um artigo de luxo.
Além disso, em segundo plano, nos lugares mais isolados do país e nas periferias das grandes cidades, há uma escassez de estruturas que permitam a obtenção de cultura, como livrarias, teatros e computadores. Segundo dados do IBGE, em 2014, apenas 27,4% da população tinha acesso à livrarias e apenas 23,4% tinha acesso à teatros. Nesse sentido, é relevante trazer as ideias de Rousseau, segundo o filósofo as ações do Estado devem ocorrer em nome da soberania do povo, isto é, o Estado deve atuar para que as necessidades de toda a comunidade sejam atendidas. Sob esse contexto, a falta de investimentos do governo em infraestrutura demonstra sua falha em atender tais necessidades. Sendo assim, é notável a importância do Estado na democratização da obtenção de cultura.
Portanto, torna-se imprescindível a tomada de atitudes que ajudem a tornar a democratização do acesso à cultura possível de acontecer. Para isso, cabe ao Ministério da Cultura, em parceria com o Ministério da Economia, efetivar leis que tornem os meios culturais, como cinemas e teatros mais baratos, por meio da insenção de impostos desses lugares. Com o intuito de permitir que a população mais pobre tenha como acessar tais locais. Além disso, é papel do Estado investir na construção de livrarias, cinemas e museus nos espaços mais isolados do país, como o interior e a periferia. Desse modo, todo o cidadão brasileiro terá acesso a mais um de seus direitos de forma justa.