A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 13/07/2021
Na música “Imagine”, composta pelo músico John Lennon, reflete sobre uma realidade utópica na qual a sociedade se encontra em harmonia e passividade plena. No entanto, esse cenário jamais será alcançado com o perpetuamento de diversos fenômenos sociais, como a carência do acesso à cultura no Brasil, já que o comportamento passivo da sociedade perante a essa falta de acessibilidade, é o fato que consolida esse ópio no imaginário coletivo. Nesse sentido, a problemática tem origem inegável da negligência do Estado. Desse modo, entre os fatores que contribuem para essa conjuntura, destaca-se a falibilidade educacional e a distribuição socioespacial no Brasil.
Em primeiro lugar, a falha do ensino cristaliza a escassez de democratização do acesso à cultura. Isso ocorre devido à carência infraestrutural dos espaços públicos escolares. Dessa forma, intensifica a dificuldade do acesso a conteúdos socioculturais, justamente porque esses espaços não possuem tanto os locais quanto os equipamentos necessários para a difusão da cultura, como peças teatrais, bibliotecas e salas que permitem a visibilidades de filmes. Desse modo, o estado não cumpre um dos seus conceitos mais fundamentais, garantir o acesso à cultura a todos os cidadãos, conforme está presente na Constituição Federal de 1988.
Ademais, a desequilíbrio sociocultural é consolidado através da distribuição socioespacial das cidades brasileiras. Isso acontece uma vez que os espaços culturais, se concentram nas grandes regiões metropolitanas, na qual o público situado nas periferias terão que deslocar-se, já que na sua localidade não possui esses centros de entretenimento. Assim, revelando um contexto que foi construído após a “Lei Áurea” de 1888, em que grande parte da população afrodescendente foram segregados dos grandes centros urbanos para viverem nas periferias, na qual não tiveram auxílio do Estado brasileiro para a construção de moradias, saneamento básico e, evidentemente, de espaços culturais.
Fica claro, portanto, que a ausência do acesso à cultura para toda a sociedade é grada através da falibilidade estatal. Logo, para combater esse empecilho faz-se necessário que o Governo Federal atue por meio do Ministério da Infraestrutura, na qual deverá institucionalizar o Plano Nacional da Cultura Para Todos, que construirá centros culturais, como bibliotecas, teatros e cinemas nas regiões periféricas, com intuito de disponibilizar o acesso para famílias com um baixo poder financeiro. Além disso, dentro desse mesmo projeto, o Ministério da Educação deverá fornecer nas escolas estaduais e municipais, recursos financeiros para que essas possam construir locais para que os docentes tenham acesso à cultura de forma gratuita. Dessa forma, a desigualdade sociocultural estará regredindo e a sociedade estará caminhando para progresso, como gostaria o cantor John Lennon.