A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 25/08/2021
No livro, Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, é narrado à história do Major Quaresma que possui grande apreço nacionalista em prol do desenvolvimento da cultura no Brasil, como transformar o “Tupi” em dialeto oficial, entretanto, suas ideias sofrem repressão. Contudo, o livro de Lima Barreto difere da realidade no âmbito temporal e nas questões sociais atuais, pois a falta de incentivos do Estado e a desigualdade social entre os mais favorecidos e menos favorecidos estão entre os fatores que interferem na democratização cultural no país, visto que o acesso é restrito para poucos.
Certamente, a ausência de políticas públicas eficazes que incentivem a construção de teatro, cinemas ou até mesmo espetáculos em praça pública representam o regresso da cultura no país. Em suma, o período militar (1964-1985) teve sua parcela de culpa, pois o aprisionamento da liberdade de expressão e a monotonia das mídias sociais controladas pelos militares acarretaram no declínio da democratização cultural. Ademais, a indústria cultural, de Theodor Adorno e Max Horkheimer, evidencia que a cultura deixou de ser entretenimento e virou apenas uma forma de fazer política e ganhar dinheiro.
Outrora, os Fatos Sociais, de Émile Durkheim, define que a sociedade molda o indivíduo de acordo com seus costumes. No entanto, os comportamentos, tradições e conhecimentos de um determinado grupo social definem o conceito de cultura. Outrossim, a falta de cinemas, teatros ou espaços culturais na maioria dos municípios mostra o quão é acentuada a desigualdade social entre as grandes cidades. Em Suma, o Cine Holliúdy, série da emissora Rede Globo, confirma o quanto a cultura não é levada a sério no Brasil, pois o cinema do seriado é a única forma de entretenimento da população e ainda utiliza um instrumento arcaico para transmitir o filme. Desse modo, um sistema precário, deve ser trocado ou reformulado para que ambas as partes envolvidas sejam beneficiadas.
É necessário, portanto, que medidas sejam tomadas para mudar tal cenário preocupante. Por isso, o Ministério da Cultura em parceria com Estados e Municípios deve criar medidas efetivas para democratizar o acesso à cultura no Brasil, como promover feiras de leitura nas escolas, construir espaços públicos de cultura, museus e teatros. Ademais, cabe aos cinemas por meio de incentivos fiscais do Governo promover o acesso gratuito para crianças, jovens e adultos que não tem condições de pagar o valor do ingresso normal. Além disso, a mídia aberta nacional poderia colocar programas de história do Brasil, literatura ou lançar mais filmes na sua programação que visem os mais necessitados de informação. Dessa forma, será possível democratizar o acesso à cultura para todos.