A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 19/08/2021
Na Constituição Brasileira de 1988, é apresentado um dos princípios fundamentais, a isonomia - igualdade de todos perante a lei- tendo a base de promover a equidade social. Embora esse princípio seja de extrema importância na nação, ele se encontra somente no ambiente ideológico da lei, principalmente nos fatores relacionados à cultura. Nesse contexto, é notável a ineficiência do Estado em conter o desequilíbrio da produção cultural, resultado da elitização e ausência de valorização da cultura periférica nacional.
Em primeira análise, o jornal Folha de São Paulo apresentou que apenas 35% da classe baixa e classe média brasileira frequentam algum ambiente cultural- teatro, museu e cinema- e que cerca de 80% da classe alta frequentam constantemente os ambientes culturais. Nesse sentido, é alarmante a disparidade cultural entre as classes econômicas no Brasil, o que reflete na ausência da democratização cultural gerada pelas medidas elitistas e segregacionistas. Logo, é urgente a reversão desse cenário marcado pela segregação cultural, com objetivo de reestabelecer o princípio da isonomia encontrado na Constituição.
Em segunda análise, o historiador Carlos Tavares relatou em seu livro - A cultura mascarada do Brasil- que a elitização da cultura ocorreu quando ambientes culturais deixaram os lugares públicos e se deslocaram para shopping e ambientes privados. Dessa forma, esse deslocamento promoveu uma marginalização das classes inferiores a desvalorização da cultura regional, o que resultou na exclusão dos grupos minoritários à cultura. Conforme a Indústria cultural de Adorno e Horkheimer, a cultura torna-se um meio de comercialização e não mais de integração social. Assim, a produção cultura está centrada na produção econômica dificultando a integração social a esse meio de comunicação e entretenimento disponível apenas as classes privilegiadas do Brasil.
Portanto, frente a esse cenário de monopólio cultural é urgente atuação dos órgãos públicos para reverter essa lamentável realidade dos brasileiros. Cabe ao Estado ampliar o acesso aos meios culturais à população, por meio de projetos de integração - disponibilizar o livre acesso da população às artes e projetos culturais em todas as regiões do Brasil. Além disso, criar campanhas de incentivo ao consumo da cultura periférica, por exemplo: eventos locais - carnaval, são joão- e danças e músicas regionais - frevo, forró e axé. Com isso, atingir e mitigar esse desequilíbrio cultural, a fim de reduzir a disparidade com a democratização da cultura a todos os brasileiros.