A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 02/10/2021
Vidas Secas, Quincas Borba e Angústia são exemplos de obras que possuem destaque na literatura brasileirae estão disponíveis de forma gratuita na internet. Em consequência da internet, outras manifestações culturais estão cada veis mais acessíveis à população. Porém, apesar dos avanços, são notados desafios para uma democratização efetiva, originados na ausência de atenção por parte de instituições estatais e falta de entendimento da população com as culturas existentes no país.
Em primeiro lugar, é preciso entender o que é cultura, no ponto de vista de sua relação com todos os indivíduos. No Brasil, um país tão populoso, há a presença de inúmeros povos, etnias e grupos sociais que possuem seu próprio conjunto de crenças, tradições e produções artísticas, tendo, portanto, uma cultura específica. Democratizá-la, em nosso país, é, então, valorizar todas as manifestações, não preterindo uma em razão de outra, garantindo que todos os grupos sejam contemplados. Entretanto, nem sempre o acesso a toda essa diversidade é tão presente, deixando a aquarela brasileira, a princípio cheia de cores, apenas na letra da música.
Em segundo lugar, o processo de elitismo cultural faz com que a classe média se sinta desconfortável com os locais de arte. Assim como Fabiano e sua família se sentem incomodados quando vão à festa da cidade, nas Vidas Secas de Graciliano Ramos, o cidadão comum também sente quando vai ao centro cultural. Diante disso, fica evidente a necessidade de solucionar o isolamento do espaço social causado por esta situação. Vale ressaltar que o país carece de uma educação de qualidade para democratizar a cultura. Isso ocorre porque o conhecimento promove o pensamento crítico e a apreciação cultural, aumentando assim os valores sociais e morais. Ao visualizar geograficamente as atividades culturais nas cidades, é indubitável perceber, que elas se encontram predominantemente nos grandes centros. Diante disso, nota-se, essa, como a principal barreira encontrada pelos grupos marginalizados pela sociedade, pois, diante da distância dos centros, muitos não apresentam acessibilidade de deslocamento para usufrui-las. Sendo necessária, a intensificação de vale-culturais já existentes, tanto para o transporte quanto para a atividade.
Portanto, está claro que lutar contra esses impasses comprovados é inevitável. Por isso, as pessoas devem se reunir por meio das redes sociais e realizar manifestações pacíficas em centros culturais, obrigando o governo a administrar todo o território nacional de forma ética por meio da popularização da cultura. Além disso, o Ministério da Cultura e as ONGs precisam fornecer vários projetos culturais na periferia para combater o elitismo cultural. Só assim este direito social garantido pela constituição do cidadão pode ter efeito.