A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 01/10/2021

Conforme o geógrafo Milton Santos, uma democracia só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são desfrutados por todos os cidadãos. É notório que no Brasil a cultura é excessivamente desvalorizada, conquanto na prática se observam impactos ocasionados por esse preconceito, originado pelo culto a padronização, o que, por sua vez, torna um acesso igualitário. Diante dessa perspectiva, faz-se pertinente a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, é importante destacar que, em função dos ditames do mundo capitalista, os brasileiros estão cada vez mais expostos a elitização dos produtos culturais, o que impacta diretamente nas camadas mais populosas, visto que são excluídos dessa admissão. Segundo o sociólogo francês, Émile Durkheim, os fatos sociais podem ser patológicos, posto que, rompem toda harmonia social, o que infelizmente é evidente no país.

Por conseguinte, é fundamental apontar que essa ditadura cultural, impulsiona conjunturas gradativas, em virtude, a indiferença leva à perda de identidade e diversidade nacional, a falta de acesso a uma educação de qualidade, que valorize manifestações artísticas é um dos impulsionadores dessa problemática. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 70% da população brasileira nunca foi a um centro cultural. Em suma, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.

Depreende-se, portanto, a necessidade de resolver esse acesso. Para isso, urge que o Ministério da Educação e da Cultura crie, por intermédios de recursos governamentais, campanhas publicitárias nas redes sociais, exaltando a diversidade, além de palestras nas escolas enaltecendo e incentivando manifestações artísticas, acrescente-se a isso a ampliação e descentralização dos espaços culturais. Somente assim, consolidar-se-á uma sociedade democrática, tal como afirma Milton Santos.