A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 01/10/2021
O romance filosófico “Utopia” — criado pelo autor escritor inglês Thomas More no século XVI — retrata uma civilização perfeita e idealizada, onde a engrenagem social é altamente segura e desprovida de conflitos e problemas. Tal obra fictícia, mostra-se distante da realidade contemporânea no tocante à democratização do acesso à cultura no Brasil, problema ainda a ser combatido no Brasil. Esse panorama lamentável ocorre não só em função da desigualdade social por se tratar de um custo alto, mas também da falta de estímulos públicos. Desse modo, torna-se fundamental a análise dessa conjuntura para reverter esse quadro.
Nessa linha de raciocínio, é primordial destacar que a carência de investimentos em incentivos deriva da ineficácia do Poder Público, no que concerne à criação de mecanismos, os quais coíbam tais recorrências. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, visto que, devido à baixa de atuação das autoridades, é perceptível a grande desigualdade social quando se trata do mesmo assunto, visto que, o custo se torna muito alto, o que fica inacessível para muitas pessoas. Destarte, fica evidente a ineficiência da máquina administrativa na resolução dessa situação caótica.
Além disso, a carência de estímulos públicos apresenta-se como outro desafio da problemática. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 75% da população nunca foi a um museu ou exposição de arte. Tal dado abordado é materializado no Brasil, haja vista ser notório a desinteresse dos mesmos, o que, consequentemente faz com que o número de pessoas com acesso à cultura no Brasil seja baixo. Logo, tudo isso retarda o combate à democratização do acesso à cultura no Brasil, já que a falta de estímulo público contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Infere-se, portanto, a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da democratização do acesso à cultura no Brasil. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar o interesse sobre cultura através de palestras por profissionais especializados na área, para aumentar o número de pessoas interessadas sobre o mesmo. Dessa forma, poder-se a concretizar a “Utopia” de More na sociedade brasileira.