A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 02/10/2021

O pensamento positivista formulado pelo filósofo francês Auguste Comte inspirou a frase política “Ordem e Progresso”, exposta na célebre bandeira nacional como ideal de desenvolução da nação. Entretanto, a precariedade da democratização do acesso à cultura no Brasil representa uma antítese à máxima do símbolo pátrio, uma vez que resulta na desordem e no retrocesso do desenvolvimento social. Dessa forma, faz-se necessário discutir o tema, sendo essa problemática agravada pela elitização do meio cultural e pela negligência estatal. Tal fato reflete uma realidade extremamente complexa no que diz respeito aos seus efeitos sobre a população tupiniquim.

A priori, torna-se fundamental apontar que o revés encontra motivação no caráter elitista e segregacionista do meio cultural hodierno. Nesse contexto, é possível associar tal questão ao pensamento do filósofo brasileiro Sérgio Buarque de Holanda, segundo o qual a segregação social é uma característica persistente e intrínseca à população brasileira. Desse modo, integrados a uma realidade em que a produção cultural é encarada exclusivamente como manifestação das camadas mais altas da sociedade, os brasileiros acabam excluídos do consumo das artes, o que reverbera um quadro preocupante de regresso social. Portanto, a exclusão coletiva dos meios artísticos apresenta-se como um fator agravante do problema e evidencia a necessidade de reversão desse cenário.

Outrossim, é oportuno mencionar que o pensador Thomas Hobbes, em seu livro “Leviatã”, defende a obrigação do Estado em proporcionar meios que auxiliem o progresso do corpo social. Todavia, o pensamento do filósofo vai de encontro ao cenário vigente, uma vez que o poder público mostra-se falho na responsabilidade de garantir e promover eventos culturais acessíveis e inclusivos. Assim, alheios ao consumo cultural, os brasileiros tornam-se despidos de uma visão crítica e permanecem em uma realidade de involução, uma vez que a arte apresenta-se como uma poderosa ferramenta de desenvolvimento coletivo e de consolidação de conhecimentos e valores. Logo, enquanto as autoridades forem negligentes, será possível observar a persistência do impasse no Brasil.

Diante do exposto, para alcançar a democratização do acesso à cultura no Brasil, medidas devem ser tomadas. Para isso, cabe ao governo federal, instância máxima da administração executiva, criar, por meio da utilização de verbas públicas, o Plano Nacional das Artes, o qual consistirá na promoção e no investimento em eventos culturais democráticos e inclusivos. Posto isso, tais medidas teriam por finalidade difundir as artes entre todas as camadas da população e, assim, garantir uma maior participação popular no fazer artístico. Somente assim será possível construir um futuro melhor e a realidade aproximar-se-á dos ideais almejados no simbólico pavilhão brasileiro.