A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 02/10/2021

A constituição federal de 1988, prevê em seu artigo 6, o direito à cultura inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem reverberado com ênfase quando se observa os desafios da democratização do acesso à cultura no Brasil, dificultando, desse modo, a universalização desse direito social tão importante. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater a democratização do acesso à cultura no Brasil. Nesse sentido, a negligência estatal diante do acesso do acesso à cultura consolidar o impasse, bem como rompe com a teoria do filósofo são tomás de aquino de que todos os civis devem ser auxiliados. Isso porque, o estado, por não investir suficientemente em estruturas que promovem a manifestação artística, como salas de cinemas, museus e bibliotecas  corroboram com o atual apartheid cultural existente no Brasil. Dessa forma, a falta de integração e de acessibilidade, sobretudo para regiões remotas do país, contribui com a monopolização da arte para grandes centros urbanos bem como as pessoas de maior poder aquisitivo. Essa conjuntura, segundo como ideias do filósofo John Lock, configura-se como uma violação do “contrato social” já que o Estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos disfruten de direitos indispensáveis, como a cultura.

Ademais, um país que deveria ser símbolo de variedade, de mistura de toneladas e figurinos, acaba resumindo a uma cultura monocromática, e o acesso, que já é pouco, fica prejudicado por uma falta de interesse dos próprios cidadãos. Sabe-se que é importante garantir o acesso à leitura, ao teatro, ao cinema. No entanto, é preciso, em primeiro lugar, que a população perceba a importância desses itens para a formação de um indivíduo. Possibilidadear essa aproximação, o que tem sido pouco feito sem criar essa consciência no povo brasileiro não está resolver, mas mascarar o problema da falta de democratização.

Depreende-se, portanto, que o processo de aproximação do povo brasileiro com seu patrimônio cultural está longe de acabar. Ainda há muito o que ser feito. Um bom caminho seria a promoção dos costumes de grupos desprivilegiados socialmente, tanto por parte do governo quanto da mídia e iniciativa privada, para divulgação e valorização das práticas e manifestações, por meio de programas de televisão, campanhas e até festivais temáticos. Além disso, a criação de locais de estímulo ao contato das crianças, adolescentes e adultos com o universo literário e cinematográfico, por exemplo, poderia representar uma tentativa de democratização mais tangível e realizável. Só assim pode alcançar, de vez, o colorido cantado por Ary Barroso na histórica Aquarela do Brasil.