A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 08/09/2021

De acordo com a Constituição Federal de 1988, é dever do Estado garantir aos indivíduos o acesso à cultura. No entanto, essa garantia não é efetivada no Brasil, visto que o acesso aos bens culturais não é acessível a todos. Isso ocorre porque as escolas públicas não estimulam os alunos à criarem o hábito de frequentarem ambientes artísticos, assim como pela falta de democratização no acesso a esses locais, que atinge grande parte da população.

Em primeira análise,  é preciso ressaltar que a escola não utiliza a matéria de artes para fomentar o interesse cultural nos alunos. Nesse contexto, há muitas formas culturais que poderiam ser exploradas de forma educacional, como o teatro e o cinema, uma vez que possuem o objetivo de entreter, informar e até levar a reflexão, pois muitos filmes e peças têm um alto potencial de criticidade.  Segundo o crítico literário Antônio Cândido, a arte humaniza porque atua no inconsciente e no subconsciente, ajudando a formar o caráter. Logo, poderia ser estimulada e utilizada pelos professores com a finalidade de mudar a perspectiva e a visão de mundo dos estudantes. Assim, o cinema e o teatro, como, também, outras formas de cultura, podem ser usadas como ferramente educacional, devendo ser democratizadas.

Ademais, é preciso explicitar a dificuldade que parte da população enfrenta no acesso a ambientes culturais, uma vez que os preços dos ingressos exigidos não são acessíveis, principalmente à classe média baixa. Além disso, devido ao sistema capitalista, a maioria dos museus e dos cinemas se localizam em grandes centros urbanos e shoppings, locais que geram maiores lucros. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 70% da população brasileira nunca foram a um museu ou a um centro cultural. Dessa maneira, grande parte da população é excluída, seja socialmente, seja geograficamente, como moradores de periferias e interiores dos país. O trecho da música “Comida”, da banda brasileira Os Titãs, declara: “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.”. Dessa forma, é feita uma crítica ao Estado, afirmando que a população não quer apenas programas sociais para alimentação e sobrevivência, mas também programas sociais de cunho artístico e cultural.

Portanto, é preciso medida que vise democratizar o acesso à cultura no país. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, responsável pelas políticas de desenvolvimento social, junto ao MEC, criem o “Dia do Cinema”, por meio de parcerias com empresas que promovem a cultura, como teatros e cinemas, disponibilizando um dia ao mês para que os alunos de escolas públicas possam frequentar gratuitamente, a fim de habituarem os alunos à prática cultural. Ademais, cabe aos secretários da cidadania dos municípios, por meio de verbas da prefeitura, criarem espaços culturais nas cidades, para transmitir exibições cinematográficas e peças teatrais, a fim de democratizar o acesso à cultura.