A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 11/09/2021
Durante o período da ‘‘Arte Moderna’’ no Brasil, dezenas de artistas aproveitaram a época para se livrar das ‘‘amarras’’ tecnicistas europeias e reescrever uma nova cultura nacional para o país. Saindo da vertente histórica, nota-se que, apesar dos grandes feitos culturais desde o século 20, muitas pessoas não têm acesso à produção de obras. A partir desse viés, é válido analisar a desigualdade perante a democratização cultural em terras tupiniquins, bem como seu entrave nas instituições de ensino.
Convém ressaltar, a princípio, que a desigualdade social, muito presente em território nacional, é um fator determinante para a persistência do problema. Isso acontece porque a indústria cultural é um ‘‘produto’’ para ser vendido e , logo , perde-se a ideia de cultura como um ‘‘direito de todos’’ na medida em que uma obra de arte, por exemplo, torna-se privilégio apenas para alguns.Tomando como base tal fato, em ‘‘Convite à Filosofia’’, da filósofa Marilena Chauí, a autora aponta que existem bens culturais mais caros, os quais são dirigidos por uma elite, enquanto os ‘‘incultos’’ se restrigem aos mais baratos, para que nem incitem questionamentos, nem saiam do senso comum. Desse modo, tem-se como consequência uma maior alienação cultural e o aplacamento de questionamentos intelectuais no Brasil.
Além disso, a postura omissa de parte das instituições escolares brasileiras também é um empecilho para a democratização do acesso à cultura. Isso decorre por causa da matriz curricular atual, a qual privilegia as disciplinas tradicionais e não prevê atividades culturais, como visitações à galerias e aulas sobre literatura e artes plásticas. Por consequência de tal exclusão, o indivíduo cresce e vê a cultura e a arte como algo pouco interessante. Nesse sentido, o filósofo Schoupenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam o seu entendimento de mundo. Por outro lado tais ‘‘visões’’ deveriam serem apresentadas para os indivíduos, pelas escolas, com o objetivo de que a problemática fosse revertida e as lacunas educacionais superadas, fato que não ocorre atualmente.
É mister afirmar, portanto, que a produção cultural deve ser democratizada.Dessa maneira, é imprescindível que o Superministério da Cidadania, responsável pela regulamentação da produção cultural nacional, por intermédio do aumento de repasses financeiros às Secretarias de Cultura, estaduais e municipais das cidades brasileiras, construam centros culturais como bibliotecas, teatros e oficinas de artes para toda a população, com o fito de aproximar os jovens dos itens intelectuais. Ademais, o Ministério da Educação, por sua responsabilidade de formação cidadã, em parceria com as escolas públicas e privadas, deve incluir visitas aos museus e aulas de história da arte nas salas de aula, por meio da obrigatoriedade dessas matrizes no currículo nacional, a fim de fomentar o acesso às obras. Finalmente, a cultura democrática será a mais ‘‘Moderna’’ em tempos atuais.