A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 14/09/2021
Com a política do “Pão e Circo”, no império romano, é possível visualizar que os espetáculos e manifestações culturais estão presentes no cotidiano humano desde a antiguidade, e são necessárias para repassar tradições ou servir como lazer para a população do país. Consoante a isso, na realidade do Brasil, a cultura ainda se faz um recurso importante na vivência de todos, porém, a precária democratização dessa traz inúmeros problemas, o principal é o alto preço dos ingressos que dificulta o acesso cultural, de apresentações - de circo ou dança - e obras literárias.
Inicialmente, na produção cinematográfica brasileira “Lisbela e o prisioneiro” é exemplificado como o acesso à espetáculos era feito - o que se perpetua até hoje -, as pessoas tendo que pagar altas taxas de dinheiro para presenciar apresentações de cultura e lazer, e por isso só as pessoas com classe mais alta podiam usufruir dessas. Embora a Constituição Federal garanta o acesso ao lazer e cultura para todos os cidadãos, conforme a UNESCO, em 2019, Mais de 70% dos Brasileiros nunca assistiram a um espetáculo de dança por falta de dinheiro ou pelas companhias de dança não terem condições e espaços para se apresentar em todas as cidades.
Outrossim, na emissora “Roda Viva” - em setembro de 2020 - a historiadora Lilia Schwarcz falou sobre a proposta de impostos cobrados sobre os livros, e de que modo isso interfere na disseminação de conhecimento e cultura para a população. Ainda que haja diversas campanhas nas mídias sociais para proteger o acesso a leitura, a exemplo da hastag “#Defendaolivro”, de acordo com o fundador da editora Caramurê - Fernando-, a possível taxação de livros, influenciada pelo ministro Paulo Guedes, tem um aumento de 35% na taxa tributária o que afeta diretamente a compra e consumo da leitura pela população de renda baixa e média, assim, os livros se tornando um produto apenas para a elite brasileira.
Destarte, é de extrema importância para aplacar a falta de acesso aos espetáculos culturais, que a Secretária Especial da Cultura implemente de maneira efetiva projetos, a exemplo da criação de ambientes adequados às apresentações e entradas pagas em dias comemorativos, para ampliar a aproximação ao meio cultural e ao lazer pelo consumo de espetáculos para a população. Também para abrandar o precário acesso cultural pelas obras literárias, que o Estado não implemente a proposta do ministro Paulo Guedes e implemente mais leis que protejam o consumo de livros, para que os impostos não acarretem na decaída das compras desses. Dessa forma, o Brasil poderá democratizar o acesso à cultura na sociedade atual.