A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 13/09/2021

No contexto do Renascimento Clássico, houve maior investimento no âmbito artístico,incentivado pelas classes bem desenvolvidas e limitado a esse universo. Fora do tablado histórico, hodiernamente o Brasil ainda mantém essa cultura de concentração da participação e do conhecimento artístico na esfera social privilegiada, estabelecendo uma segregação do universo cultural. Esse cenário nefasto ocorre não só em razão da manutenção da cultura elitista ,como reflexo do renascimento na conjuntura industrial, mas também devido a ausência de medidas governamentais que assegurem a promoção de cidadania aos indivíduos. Dessa forma, faz-se necessário analisar e argumentar sobre a democratização do acesso à cultura no Brasil.

A princípio, com o advento da Revolução Industrial a produção cultural passou a seguir os moldes da industrialização, logo, a arte passou a ser produto de consumo e a possuir preços e mercado consumidor específicos. Desse modo, é pertinente considerar a ideia de “indústria cultural”, formulada pelos filósofos Adorno e Horkheimer, a qual aborda a produção cultural como uma mercadoria destinada à comercialização, essa realidade favorece a manutenção da elitização da arte. Tendo em vista a realidade supracitada, essa perspectiva como subproduto da desigualdade influi sobre o acesso ao campo cultural; restritos as classes privilegiadas, a qual contribui para a supressão do acesso massificado do universo cultural no Brasil e consequentemente o tolhimento de direitos sociais, garantindo condições de subcidadania aos indivíduos.

Ademais, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para a massificação do acesso à cultura e um país não fomentador da democratização artística,corrobora com a negligência sobre as classes minoritárias,potencializando a vulnerabilidade dessa população. Segundo a Constituição brasileira, assegura-se a todos os indivíduos o amplo acesso aos bens culturais do país. No entanto, na prática, tal garantia é deturpada, visto que o estado não cumpre sua função de garantir que os cidadãos desfrutem de direitos indispensáveis, como o acesso à cultura, o que infelizmente é evidente no país.

É evidente, portanto, que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem massificar o acesso ao universo artístico no Brasil. Nesse viés, o Governo deve financiar a universalização desse direito, por meio da gratuidade em teatros, museus, cinemas e os demais espaços culturais, estabelecendo dias e horários para este benefício. Ademais, a Mídia com seu forte papel influenciador, deve incentivar os indivíduos a buscar formas de acessar essa cultura, através de projetos sociais em parceria com escolas e bibliotecas para a doação de livros e também promover eventos culturais. A fim de democratizar o acesso à cultura e promovendo a cidadania de dentro para fora nas pessoas.