A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 09/09/2021

Na obra “Vidas Secas”, de Graciliano Ramos, Fabiano e sua família são personagens totalmente excluídas socialmente devido à falta de acesso aos direitos básicos de socialização. Tal conjectura é muito encontrada no cenário brasileiro. Assim, é fundamental o alcance da democratização do acesso à cultura no Brasil, porque possibilita avanços na sociedade, a citar, a mobilidade social, a igualdade e o estabelecimento do bem comum.

Em primeira análise, é notório o quanto a democratização do acesso à cultura no Brasil viabiliza a mobilidade social, uma vez que essa conquista facilita o entendimento do cotidiano pelo indivíduo, o qual, dessa forma, não se aliena e passa a lutar por seus direitos. Essa assertiva é associada ao contexto da Idade Média, em que o clero e a nobreza, detentores de cultura, mantinham sua posição privilegiada e exploravam os de classes mais baixas, estabelecendo uma estagnação social. Soma-se a isso, a igualdade na sociedade que tal democratização pode gerar, visto que a partir desse acesso, as pessoas passariam a ser inseridas no contexto social. Esse pensamento pode ser concatenado à narrativa do livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley, a qual retrata a desigualdade presente em uma sociedade em que apenas uma pequena parcela (Alfa e Beta) obtém certa cultura, gerando repulsa e exclusão daqueles que não têm (Delta, Gama e Ipsilon).

Em segunda análise, é evidente que a democratização do acesso à cultura no Brasil possibilita o estabelecimento do bem comum, já que o indivíduo passa a ter mais um de seus direitos garantidos. Tal afirmativa é atestada a partir do cumprimento da Constituição Brasileira de 1988, a qual, baseada nos Direitos Humanos, assegura, no artigo 215, o direito à cultura à toda população. Além disso, essa conquista ampliaria tal felicidade social porque a cultura pode ser um refúgio para muitos, como afirma Ferreira Gullar em, “A arte existe porque a vida não basta”. Dessa forma, por meio dessa democratização, o Estado estaria cumprindo os seus deveres com a sociedade e, assim, garantindo a ordem nacional.

Portanto, é visível a importância da democratização do acesso à cultura no Brasil devido às conquistas advindas disso, como a mobilidade, igualdade e o bem comum. Desse modo, é fulcral que o Ministério da Cultura e Educação, órgão responsável por promover a cultura nas escolas e sociedade, amplie esse acesso por meio de investimentos em projetos de disseminação de cultura pública, a fim de garantir a inclusão de todos. Ademais, é importante que a mídia, principal veiculadora de notícias, mostre a necessidade dessa democratização, a partir da produção de reportagens e documentários, para que pressione o Estado para cumprir com a Constituição, assegurando à todos, seus direitos e o bem social.