A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 16/09/2021
Escolas literárias como o Romantismo e o Parnasianismo marcaram o século XIX no Brasil. No entanto, o retrato da burguesia e a linguagem erudita não representavam um contingente expressivo da população. Ao contrário, expunham um problema da sociedade brasileira, presente também na atualidade, a falta de democratização no acesso à cultura. Quanto a esse tópico, é preciso atentar para os perigos da indústria cultural e para o potencial político das manifestações artísticas.
Em primeiro plano, é válido abordar o pensamento de Adorno, um expoente da Escola de Frankfurt. Em sua obra, o filósofo desenvolve o conceito de indústria cultural, a padronização das ações dos indivíduos promovida pelo aparato midiático. Logo, esse fenômeno promove a homogeneização da cultura, ao invés da democratização dessa. Dessa maneira, é necessário destacar que a difusão das artes não deve vir acompanhada da perda de autenticidade, nem da promoção de um padrão único de vida.
Ademais, é importante frisar que a cultura desempenha papéis além do entretenimento. Por conta disso, o pensador italiano Gramsci definia essa como um processo de formação que corresponde a um modo de vida que tem a sua afirmação societária na luta entre os diversos projetos políticos que visam à direção da sociedade. Portanto, aumentar o alcance de produções culturais é promover, também, o pensamento crítico e autônomo da população.
Assim, é possível concluir que a democratização do acesso a cultura deve ser promovida em todas as instâncias, mas sem massificá-la. Para pôr em prática esse projeto os Ministérios da Cidadania e da Educação devem trabalhar em conjunto. Além disso, a atuação com as prefeituras é importante, para atingir o ensino básico assim como populações locais que vivem distantes de centros urbanos. Dessa forma, mais pessoas terão condições de apreciar, assim como produzir, cultura.