A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 15/09/2021
A “Belle Époque” foi um momento, entre 1871 e 1914, pré Primeira Guerra Mundial, no qual houve uma explosão cultural nos países desenvolvidos. Durante esse período, muitas formas de arte surgiram e se intensificaram de tal forma que se preservaram até os dias atuais. Porém, apesar da cultura ser muito diversa e versátil no século XXI, ainda ocorrem problemas relacionados a democratização do seu acesso no Brasil, já que existe um alto custo de acessibilidade e um “apartheid’ cultural.
Primeiramente, deve-se observar a expansão da indústria cultural gerada pelo processo de globalização. Nesse aspecto, países se conectam culturalmente e intercambiam as mais diversas expressões artísticas. Entretanto, esse câmbio ocorre de forma seletiva, pois envolve um custo muito alto para os seus apreciadores, fazendo com que a parcela mais pobre da população seja excluída e evidenciando que a democratização da cultura em plagas brasileiras é frágil. Ademais, essa seletividade envolve todos os tipos de arte, desde as esculturas nos museus até a música escutada nas moradias, demonstrando um paralelo com a Segunda Guerra Mundial, período no qual a sociedade sofreu uma grande perda de material cultural devido às destruições provocadas por Hitler.
Seguntamente, além do alto custo, pode-se falar sobre o “apartheid” cultural existente na sociedade brasileira. Desse modo, esse aspecto se mostra presente na baixa representatividade e exclusão de alguns grupos em manifestações e obras artísticas existentes, fazendo com que a arte apresentada para a população seja ainda mais excludente. Nesse viés, além de gerar uma privação, essas exclusões fazem com que as minorias não desenvolvam a sensação de pertencimento, já que não participam, produzem ou contribuem para a cultura. A exemplo, tem-se o filme “Hairspray”, no qual a comunidade negra e uma garota fora dos padrões televisivos lutam para adquirir mais espaço nas mídias e na sociedade que vivem.
Em suma, a democratização do acesso à cultura no Brasil encontra empecilhos no alto custo de acessibilidade e na segregação cultural. Desse modo, é dever do Ministério da Educação, aliado ao Ministério da Economia, promover a facilitação dos aspectos culturais, por meio da criação de um programa fornecedor de descontos para museus, shows, cinemas e similares, além de reduzir o preço de livros, cadernos e materiais de estudos/artísticos, objetivando que mais pessoas tenham oportunidade de convívio com esses bens materiais e imateriais. Além disso, é dever da grandes mídias empregarem diversidade nos seus trabalhos, por meio da contratação igualitária de pessoas de diferentes raças, corpos e sexualidades, objetivando uma visão heterogênea do Brasil, assim as minorias não precisariam lutar constantemente com um mísero espaço de representação.