A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 17/09/2021
No Período Romântico, muitos textos literários eram divulgados em folhetins, atingindo grande parte da população alfabetizada da época. Contudo, hodiernamente, há empecilhos para alcançar a democratização ao acesso à cultura no Brasil, haja vista a disparidade econômica vigente. Nesse viés, a ausência de espaços direcionados para apresentações culturais, bem como, a negligência governamental são fatores que segregam ainda mais a cultura da população brasileira.
De início, a ausência de ambientes direcionados para apresentações -como salas de cinema e teatros- principalmente em áreas periféricas dificulta essa democratização. E isso acontece porque as empresas visam o lucro e não a inclusão das pessoas mais vulneráveis socialmente. Analogamente, na Idade Média, as cidades eram separadas por feudos, muros os quais separavam as terras e materiais que apenas o senhor feudal poderia usufruir. Nesse contexto, a falta desses espaços também construiu “muros”, pois não possibilitam o acesso de pessoas de baixa renda ao lazer. Logo, os altos preços de ingressos, alimentação e locomoção são obstáculos para que essas pessoas consigam frequentar esses ambientes.
Outrossim, a negligência governamental com a situação perpetua esse cenário, tendo em vista o descaso das autoridades na implantação dos direitos vigentes na Constituição Federal. Tal questão é tão real que foi retratado no filme brasileiro “Bacurau” como forma de denunciar a falta de investimento e descaso para com a população daquela cidade. Dessa forma, esse descuido excede as telas do cinema e é implatada na realidade de inúmeros brasileiros, os quais não possuem acesso à lazer, cultura, educação de qualidade, além de outros direitos negligenciados. Assim, a má gestão intensifica essa problemática, oferecendo condições para a permanência dessa segregação.
Portanto, evidencia-se os empecilhos para democratizar o acesso à cultura no país. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal, juntamenta as prefeituras municipais e empresas de cinema e teatro, realizarem espetáculos mensais nas periferias, com grupos teatrais e exibições de filmes. E isso deve acontecer por meio de parcerias entre as eferas públicas e privadas, propiciando a obtenção de incentivos fiscais para as empresas que aceitarem realizarem essas ações. Com o fito de democratizar e promover a acessibilidade no meio cultural para todos os indivíduos e, consequentemente, tornar a arte tão apreciada e divulgada quanto no período dos folhetins.