A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 13/09/2021

Durante o período colonial, as peças de teatro e a literatura de catequese foram aliados dos jesuítas na formação católica e na conversão dos indígenas. Hodiernamente, expressões teatrais, livros e outros meios de se produzir cultura vão além da catequese e procuram outros fins, abrangendo todo o contexto da vida humana, trazendo informação, entretenimento e esclarecimento. Entretanto, o acesso à cultura no Brasil não é democratizado e, muitos indivíduos são excluídos desse direito, por causa dos preços inacessíveis e pela falta de apoio e valorização do poder público.

Primeiramente, é necessário observar os altos preços dos ingressos de museus, shows, cinemas e apresentações, o que impede o acesso à cultura, torna o seu contato esporádico e, para grande parte da população de baixa renda, inacessível. Diante disso, mesmo com uma pesada carga horária de trabalho, essa parcela desfavorecida se torna alheia aos conhecimentos eruditos, cultura de massa e regional. De maneira análoga ao pensamento do geógrafo brasileiro Milton Santos, o qual afirma que mesmo com condições técnicas e científicas nunca vistas antes em toda a história, o homem escolhe construir um mundo perverso e sem dignidade, onde há desigualdade na partilha e dispersão da cultura.

Ademais, faz-se mister salientar a falta de investimento estatal para organização de feiras e para desenvolvimento de uma infraestrutura preparada e conservada de monumentos históricos, museus e teatros. Dessa forma, fica evidente a escasses de apoio e valorização para com as áreas de artes, conhecimento e cultura, explicitando a total ignorância que influi sobre o Estado, o qual de forma egoísta não volta seus esforços para o bem-estar e desenvolvimento do senso crítico de toda população. Consoante ao sociólgo polonês Zygmunt Bauman, este que disserta sobre uma inversão de valores, em que o individualismo e alteridade mínima são as principais premissas da modernidade, sendo assim, uma sociedade de valores líquidos e voláteis, fato que se coaduna com a ação autocentrada do poder público e a completa falta de democratização da cultura.

Dessarte, é visível que medidas devem ser tomadas para que os meios de cultura sejam acessíveis para toda a população, e a exclusão e alienação possam ser vencidas. Assim, cabe ao Poder executivo tornar os preços de ingressos acessíveis a toda a população, além de organizar, em parceria com o Ministério da Cultura, exposições gratuitas mensais, de todos os tipos de arte, em diferentes comunidades e bairros, para que dessa maneira, a busca pela cultura seja estimulada em adultos, jovens e crianças, de todas as classes sociais. A fim de que o Brasil se torne um país onde o conhecimento é valorizado e a sua cultura é democratizada e celebrada.