A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 09/09/2021
Na música “Duas cidades” da banda Baiana System, observa-se um relato da divisão de duas cidades, na qual pode-se fazer uma alusão a discrepância de cultura das duas, visto que uma apresenta um estilo de vida alto, enquanto a outra um baixo. Hodiernamente, a falta de acesso a manifestações culturais é uma realidade brasileira. Nesse sentido, nota-se que a desigualdade social é um fator relevante nesse entrave, pois permite um distanciamento da arte para uma grande parte da população. Sob esse viés, é fundamental analisar o que motiva essa não democratização, bem como suas consequências para a sociedade.
Antes de tudo, nota-se que o Estado tem apresentado um descaso em relação à cultura como elemento crucial para a elaboração de uma sociedade mais empática e igualitária. Isso porque, não investe na construção de acervos e bibliotecas públicas, o que permite uma maior desigualdade social. Além disso, boa parte da população não tem acesso a entretenimento culturais, como teatro e cinema, isso porque, o valor cobrado para a frequentação desse s lugares são altíssimos, o que permite uma baixa ou até inexistente adesão de parte dos indivíduos. Segundo a folha de São Paulo, mais de um terço da população brasileira só tem acesso a manifestações culturais quando são gratuitas. Dessa forma, a discrepância cultural só cresce e implica na formação de uma sociedade democrática.
Além disso, evidencia-se que com a baixa adesão da população a manifestações culturais, ocorre a formação de uma sociedade sem pensamento crítico, isso porque, segundo Immanuel Kant “A humanidade é aquilo que a educação faz dela”, logo quanto menos pessoas tiverem acesso à cultura, menor será a diversificação do modo de pensar entre indivíduos, sendo assim, quem apresentar um elevado padrão de vida, terá um melhor pensamento racional, enquanto pessoas de classe média a baixa, não iram crescer racionalmente, dessa forma, permanecem em um ciclo, no qual quem nasce pobre, ficará pobre, enquanto o rico, cada vez mais terá um pensamento evoluído.
Convém, portanto, ressaltar que a não democratização da cultura deve ser superada. Logo, é necessário exigir do Governo Federal o investimento em verbas para a efetivação do direito ao lazer e a cultura, previsto na Constituição de 1988, por meio da criação de programas sociais que viabilizem a música, dança e teatro em áreas periféricas, os quais incentivem artistas do próprio local. Ademais, é fundamental sensibilizar a população, via campanhas midiáticas, sobre a importância de se adotar uma postura resignada diante da democratização da cultura. Desse modo, a discrepância ente cidades ficaria restrita para a música Duas cidades.