A democratização do acesso à cultura no Brasil

Enviada em 08/11/2021

De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos estabelecida em 1948, todos tem direito de participar livremente da vida cultural, porém essa não é a realidade de grande parte do povo brasileiro. É mínima, a parcela da nação verde e amarela que tem a sua disposição uma variedade de produções culturais. Uma parte menor ainda tem a condição financeira de usufruir delas. Essa problemática tem como causa o distanciamento físico e financeiro entre a produção cultural e a grande massa, e como consequência, severas lacunas culturais e políticas na população.

Em primeira análise, é possível ver que enquanto a população, no geral, fica cada vez mais pobre, a cultura fica cada vez mais inacessível. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística disse, em 2019, que um a cada quatro brasileiros vive com menos de R$420,00 por mês. Dois anos depois, foi formulada uma reforma tributária que acarretaria em um aumento nos preços dos livros, que já é um artigo caro e que poucas pessoas têm acesso. Uma pesquisa do IBGE mostra que apenas cerca de 27% dos municípios brasileiros têm livrarias, e uma pequena parte da população residente dessas cidades tem condição para comprar livros vendidos nesse comércio. Num país onde uma parte tão grande do povo tem que se preocupar tanto com necessidades básicas, produções culturais terem preços absurdos é distanciar, propositalmente, a cultura da população.

Por consequência, a inacessabilidade das produções para grande parte do povo brasileiro gera uma sociedade culturalmente desigual. As produções culturais são consumidas por um público restrito, a elite.  As pessoas marginalizadas ou de exratos sociais mais baixos, por terem acesso diminuido ou inexistente à cultura, terão seu desenvolvimento como cidadãos prejudicados, bem como seu senso crítico e aptidão para participação política. Como diz o escritor e psiquiatra português, António Lobo Antunes, “a cultura assusta muito. É uma coisa apavorante para os ditadores. Um povo que lê nunca será um povo de escravos”. Essa parcela social com lacunas culturais e políticas terá ainda mais dificuldade para ter suas necessidades e vontades atendidas pelo governo.

Diante dessa problemática ações precisam ser tomadas. É de responsabilidade das escolas de todo o país promover e providenciar, de forma gratuita, produções culturais aos alunos de todos os anos do ensino básico, por meio de excursões que os levariam a apresentações teatrais e cinametográficas e museus, bem como disponibilizar a eles livros e acesso a internet. Essa ação tem a finalidade de oferecer o acesso à cultura a todos os estudantes da educação básica do Brasil, promovendo o desenvolvimento deles como cidadãos culturais e políticos. Apenas assim, a socidade brasileira atenderia corretamente aos Direitos Humanos e a população realmente participaria da vida cultural.