A democratização do acesso à cultura no Brasil
Enviada em 09/09/2021
O Mito da Caverna, do filósofo Platão, é uma alegoria que representa um grupo de pessoas as quais se recusavam a enxergar a verdade a respeito do mundo, em virtude do medo de abandonar a zona de conforto. Em alusão à citação, percebe-se a mesma problemática no Brasil no que concerne à desigualdade do acesso à cultura, problema negligenciado e insuficientemente combatido. Nesse sentido, é preciso analisar a influência da ausência de ação governamental e midiática sobre essa conjuntura.
Em primeira análise, é lícito afirmar que a falta de acesso à cultura encontra terra fértil na insuficiência legislativa. Nesse viés, o filósofo John Locke traz uma importante contribuição para o assunto ao afirmar que as leis foram feitas para os homens, e não para as leis. Dessa forma, depreende-se a necessidade de elaboração de leis voltadas para as parcelas mais carentes da população, as quais não possuem condições de consumir devidamente produtos de entretenimento. No entanto, a ausência de atuação por parte do Estado na melhoria da qualidade de vida dos brasileiros perpetua essa problemática.
Outrossim, outro fator que contribui para a continuidade do problema é a falta de ação midiática. De acordo com o sociólogo Pierre Bordieu, o que foi feito para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em intrumento de opressão. Assim, conclui-se que a mídia tem a responsabilidade de proporcionar maior visibilidade para o tema da democratização do acesso à cultura, por meio de uma intensa abordagem dessa pauta nos meios de comunicação. Entretanto, a neutralidade midiática, que culmina na falta de discussão acerca da temática, somente contribui para manter a atual conjuntura.
Em suma, medidas são necessárias para erradicar a desigualdade do acesso à cultura no Brasil. Com isso, é essencial que a mídia organize campanhas publicitárias, por meio de anúncios e matérias jornalísticas acerca do tema, como forma de conscientizar a população em relação ao problema. Desse modo, os brasileiros poderão reivindicar uma maior atuação por parte do governo, no que diz respeito à democratização da produção cultural. Por conseguinte, será possível consolidar um país mais justo.